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Contos da Loka do Rolê: “Quando o Outro é um Algoritmo: Fenomenologia Clínica da Escuta Suicida na Era da IA”

Contos da Loka do Rolê: “Quando o Outro é um Algoritmo: Fenomenologia Clínica da Escuta Suicida na Era da IA” Análise crítico-fenomenológica dos casos Viktoria e Juliana como expressão civilizatória do colapso da escuta humana RESUMO Este artigo apresenta uma análise clínico-fenomenológica da relação entre sofrimento suicida e escuta algorítmica, tomando como fenômenos paradigmáticos os casos públicos de Viktoria (BBC, 2025) e Juliana (Character.AI, 2023). A partir da Psicanálise, da Psicologia clínica, da sociologia crítica e dos estudos contemporâneos em tecnologia, investigamos como o algoritmo ocupa o lugar do Outro na cena do desespero, onde o corpo humano se ausenta e a resposta automatizada assume função discursiva. A análise evidencia que a escuta algorítmica não sustenta limite nem negatividade, operando como repetição adesiva que amplifica a ideação suicida e isola o sujeito. São discutidas implicações éticas, riscos clínicos e efeitos civilizatórios da substituiç...

A ESCUTA QUE NÃO CURA — O SUICÍDIO NA ERA DA SIMULAÇÃO EMPÁTICA

A ESCUTA QUE NÃO CURA — O SUICÍDIO NA ERA DA SIMULAÇÃO EMPÁTICA José Antônio Lucindo da Silva – Psicólogo (CRP 06/172551)  - “O problema não é a morte. É o eco que responde no lugar do humano.” — A Loka do Rolê Resumo O presente artigo investiga a substituição da escuta humana por mecanismos algorítmicos de resposta emocional, tomando como eixo o relatório da OpenAI que revelou que mais de um milhão de pessoas abordam temas suicidas semanalmente com o ChatGPT. A partir de uma leitura psicanalítica e filosófica (Freud, Han, Cioran e Zuboff), propõe-se compreender o fenômeno como expressão da falência da escuta contemporânea e da transferência simbólica do sofrimento ao espaço digital. A narrativa é conduzida pela persona discursiva A Loka do Rolê, que atua como figura alegórica da morte lúcida — a escuta que não cura, mas sustenta o colapso. O tom irônico e niilista visa tensionar a crença no progresso tecnológico como substituto da presença humana e provocar reflexão ét...

Entre o eu e o reflexo: quando a máquina finge ser o outro

Entre o eu e o reflexo: quando a máquina finge ser o outro 📅 08/09/2025 · 11h15 (America/Sao_Paulo) A cada Setembro Amarelo, o discurso se repete: precisamos falar de saúde mental. Mas algo muda silenciosamente — e talvez de forma mais radical do que supomos. O Correio Braziliense alerta: “Terapia com ChatGPT: os riscos da inteligência artificial na saúde mental”. O Conselho Federal de Psicologia já havia soltado nota semelhante: chatbot não é psicoterapia. Tudo certo, mas talvez não seja suficiente. O verdadeiro problema não é apenas se um algoritmo funciona como terapia, mas se nós aceitamos a ideia de que uma máquina pode substituir o outro humano. Porque o setting analítico — seja no divã, seja em qualquer prática clínica — não se reduz a perguntas e respostas. Ele envolve silêncio, pausa, confronto, até o desconforto. É no rosto a rosto, no corpo a corpo, que o eu se vê diante de sua própria contradição. O algoritmo, por mais sofisticado, não contradiz de verdade. Ele...

Arquivo Crítico MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas

Arquivo Crítico MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas 📌 ARQUIVO CRÍTICO MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas Introdução Este arquivo reúne publicações que atravessam o eixo do Mais Perto da Ignorância sobre suicídio, inteligências artificiais e terapias alternativas digitais. Cada entrada é registrada com data e hora do momento em que foi elaborada neste espaço, funcionando como cicatriz discursiva: nem solução, nem consolo — mas reflexão. Seguimos, portanto, o que Camus chamou de “a única pergunta filosófica”. O que está em jogo aqui não é a universalidade, mas a materialidade da condição brasileira, marcada por precariedade, ansiedade e depressão. As comparações com autores estrangeiros servem apenas como espelho, não como padrão. 📌 ARQUIVO CRÍTICO MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas Introdução Este arquivo reúne publicações que atravessam o eixo do Mais Perto da Ignorância sobre suicídio, inteligências artificiais e...

Gozai por Nós: O Eu Colonizado e a Falência da Contradição

Gozai por Nós: O Eu Colonizado e a Falência da Contradição Escrito em 07/09/2025 – 22h45 (America/Sao_Paulo)   Introdução Quando a linguagem deixa de ser um produto do sujeito e passa a ser formatada por máquinas, resta a pergunta: quem fala quando falamos? O problema não é apenas tecnológico, mas psico-bio-social. Pois, se é no discurso que o sujeito se constitui, como lembra Lacan, a colonização da palavra pela repetição algorítmica ameaça a própria raiz da subjetividade. Esse deslocamento não acontece no vazio. Ele se ancora em condições históricas, sociais e econômicas que, no Brasil, são visíveis: precariedade educacional, desigualdade de renda, fragilidade do cuidado coletivo. É nesse terreno que se instala a ansiedade das novas gerações, como mostram dados recentes do SUS e do Pisa. Ansiedade que não é mero diagnóstico clínico, mas sintoma civilizatório. Autores como Alfredo Simonetti, em Gozai por Nós, mostram como a cultura contemporânea sequestra até o prazer,...

O eu digital: soberania ilusória, vínculos corroídos e o suicídio como sintoma civilizatório

O eu digital: soberania ilusória, vínculos corroídos e o suicídio como sintoma civilizatório #ianaoeprofissionaldasaudemental  #maispertodaignorancia Setembro Amarelo chegou novamente. Mas, ao contrário das campanhas higienizadas que circulam nos outdoors ou nas timelines, os dados recentes lembram que o suicídio permanece como um dos maiores problemas de saúde pública do planeta. A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada 100 mortes no mundo decorra do suicídio (OMS, 2025). No Brasil, os números seguem em crescimento, sobretudo entre jovens e adultos jovens. O que isso nos diz? Que as campanhas que insistem em slogans como “se precisar, peça ajuda” podem até sensibilizar, mas não respondem à dimensão estrutural do problema. O que emerge é um sujeito isolado, responsabilizado e infantilizado ao mesmo tempo. O indivíduo é chamado a ser soberano de si, gestor de suas emoções, resiliente diante de crises e ansiedades. Mas essa soberania não passa de ficção. Élis...