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EU NÃO QUERO SABER QUEM É O NARCISO DA SALA. QUERO SABER QUEM CONSTRUIU O ESPELHO, QUEM VIROU ECO, QUEM ESTÁ RECEBENDO A RESPOSTA E O QUE O CORPO ESTÁ FAZENDO ENQUANTO TODO MUNDO DISCUTE A IMAGEM.

EU NÃO QUERO SABER QUEM É O NARCISO DA SALA. QUERO SABER QUEM CONSTRUIU O ESPELHO, QUEM VIROU ECO, QUEM ESTÁ RECEBENDO A RESPOSTA E O QUE O CORPO ESTÁ FAZENDO ENQUANTO TODO MUNDO DISCUTE A IMAGEM. Introdução: antes de chamar alguém de Narciso, diga de qual narcisismo você está falando Eu estava numa live sobre narcisismo. Até aí, nada de extraordinário. O século XXI conseguiu transformar praticamente qualquer conceito em conteúdo de trinta segundos, então era só mais uma noite ordinária da humanidade tentando explicar a própria desgraça com uma palavra que cabe numa legenda. Em determinado momento, eu perguntei: “Ô, maluco, de que narcisismo você está falando?” Primário? Secundário? Narcisismo como investimento libidinal? Narcisismo de vida? Narcisismo de morte? A tradição freudiana? André Green? Christopher Lasch? Uma leitura social? Uma leitura clínica? Uma metáfora cultural? Silêncio. E foi aí que começou o problema. Não porque alguém tenha falado sobre narcisismo. O pro...

QUANDO A MORTE ENTRA NA LIVE E A RESPOSTA JÁ ESTÁ PRONTA / Crônica narrativa — Mais Perto da Ignorância

QUANDO A MORTE ENTRA NA LIVE E A RESPOSTA JÁ ESTÁ PRONTA Crônica narrativa — Mais Perto da Ignorância Tem uma coisa engraçada nas perguntas sobre a morte. A gente pergunta. E quase imediatamente alguém responde. É impressionante. Você mal terminou de abrir a boca e já apareceu alguém com uma resposta cuidadosamente embalada, etiquetada, lacrada e pronta para consumo. Morte? Deus. Sofrimento? Propósito. Perda? Reencontro. Medo? Fé. Abismo? Salvação. Pronto. Pode fechar a conversa. O problema é que a pergunta continua ali. E foi mais ou menos assim que começou a história. Eu tinha construído um podcast. Não um sermão. Não uma profissão de fé. Não uma tentativa de convencer alguém a acreditar ou deixar de acreditar em alguma coisa. Uma pergunta. “Quem quer viver para sempre?” Só isso. Ou quase. Porque perguntas aparentemente pequenas têm esse péssimo hábito de abrir buracos maiores do que a gente pretendia. A pergunta parecia falar de eternidade. Mas logo começou a falar de mo...