SÉRIE — O TCC NEGADO: SUBJETIVIDADE, TECNOLOGIA E O OUTRO QUE NÃO COMPARECE
CAPÍTULO 1 — A PERGUNTA QUE NÃO FOI ACEITA (2018–2019)
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo:
Este capítulo apresenta a formulação inicial do problema de pesquisa desenvolvido entre os anos de 2018 e 2019, posteriormente recusado em contexto acadêmico. A questão central não se organizava em torno da dependência tecnológica em si, mas da impossibilidade de sustentação de um “outro” enquanto presença efetiva na experiência subjetiva mediada por tecnologias. Argumenta-se que tal hipótese, à época considerada deslocada, antecipa fenômenos que se intensificam no cenário contemporâneo.
Palavras-chave: subjetividade; alteridade; tecnologia; nomofobia; mediação
1. Introdução:
Entre 2018 e 2019, ao desenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso, a pergunta que orientava minha investigação não era sobre o uso excessivo da tecnologia.
Era outra.
Mais incômoda.
Menos organizável.
Eu me perguntava:
— Como pode existir um outro dentro de um espaço em que aquilo que aparece não é o outro, mas uma organização discursiva dele?
Essa pergunta não foi aceita.
E hoje, olhando em retrospecto, entendo que não foi por falta de fundamento.
Foi por excesso de deslocamento.
2. O problema não era a tecnologia:
Naquele momento, a literatura disponível — especialmente sobre nomofobia — organizava o problema em torno de:
uso excessivo
dependência
prejuízo funcional
Mas isso me parecia insuficiente.
Porque o que estava em jogo não era apenas o quanto se usa.
Era o que acontece com o sujeito quando o encontro deixa de ser encontro.
3. O outro como hipótese, não como presença:
Minha hipótese inicial era simples, embora difícil de sustentar:
— O outro não aparece como presença, mas como construção mediada.
Ou seja:
não é com o outro que eu me relaciono,
mas com aquilo que pode ser apresentado como ele.
Essa diferença, à época, não encontrou espaço.
4. A recusa institucional:
O trabalho foi recusado.
Não uma vez.
Mas no período em que deveria se consolidar como conclusão formal do curso.
Essa recusa não se deu explicitamente pela pergunta em si.
Mas pela impossibilidade de enquadrá-la.
Ela não cabia:
nem na clínica tradicional
nem na psicologia experimental
nem na abordagem comportamental clássica
Ela tensionava o próprio campo.
5. O que ficou depois da recusa:
O que não foi aceito institucionalmente não desapareceu.
Permaneceu como questão.
Sem validação formal.
Mas operando.
E essa permanência não foi teórica.
Foi concreta.
Porque o mundo começou a se mover na direção da pergunta que havia sido recusada.
6. Considerações finais:
Este capítulo não apresenta uma resposta.
Ele recupera uma pergunta.
Uma pergunta que, no momento de sua formulação, não encontrou lugar.
Mas que hoje, diante da reorganização das relações mediadas por tecnologia, retorna não como hipótese isolada, mas como necessidade de análise.
Referências:
KING, Anna Lucia Spear; NARDI, Antonio Egidio; CARDOSO, Adriana. Nomofobia. São Paulo: Atheneu, 2014.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
CAPÍTULO 2 — O OUTRO COMO DISCURSO: O INÍCIO DA RUPTURA
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo:
Este capítulo desenvolve a hipótese inicial apresentada no capítulo anterior, aprofundando a ideia de que, nos ambientes mediados por tecnologia, o outro deixa de operar como presença efetiva e passa a existir como construção discursiva. Argumenta-se que essa transformação altera a função da alteridade na constituição do sujeito, produzindo relações sem incidência real de conflito ou limite. Tal deslocamento não elimina o outro, mas redefine sua forma de aparecimento, abrindo espaço para um funcionamento subjetivo marcado pela continuidade, e não pela interrupção.
Palavras-chave: alteridade; discurso; mediação digital; subjetividade; relação
1. Introdução:
Ao retomar a pergunta que formulei entre 2018 e 2019, percebo que o ponto central não era a presença da tecnologia, mas o tipo de relação que ela tornava possível.
Não se tratava de ausência do outro.
O outro continuava ali.
Respondia, reagia, interagia.
Mas algo não operava.
O encontro não produzia ruptura.
Não havia fricção suficiente para deslocar o sujeito de si mesmo.
Foi nesse ponto que comecei a sustentar uma hipótese que, à época, não encontrou lugar:
— O outro, nos ambientes mediados, aparece mais como discurso do que como presença.
2. Do encontro à representação:
Na relação não mediada, o outro impõe limites.
Ele não responde exatamente como se espera.
Ele interrompe.
Ele desorganiza.
Essa desorganização não é um problema.
Ela é condição para a constituição do sujeito.
Entretanto, nos espaços mediados, essa dinâmica sofre uma alteração.
O que se apresenta não é o outro em sua imprevisibilidade, mas uma versão organizada, editada e distribuída.
A relação passa a ocorrer com:
respostas ajustadas
imagens selecionadas
discursos organizados
O outro não desaparece.
Mas se torna apresentável.
3. A perda da incidência:
Essa mudança produz um efeito específico.
O outro deixa de operar como limite.
Não porque não exista.
Mas porque não incide.
A relação continua.
Mas não atravessa.
O sujeito não é obrigado a se reorganizar.
E, sem essa reorganização, algo fundamental se perde.
4. A continuidade como forma de funcionamento:
Sem a incidência do outro, a relação tende à continuidade.
Não há ruptura suficiente para interromper o fluxo.
Tudo segue.
A conversa continua.
A interação se mantém.
Mas não há deslocamento.
Isso produz uma forma de funcionamento em que:
o sujeito permanece em si
o outro não altera sua posição
a relação não exige transformação
5. Consequências para a subjetividade:
Se o sujeito se constitui na relação com o outro, a transformação dessa relação implica uma transformação na própria subjetividade.
O que começa a aparecer é um sujeito que:
interage sem se deslocar
responde sem se comprometer
se mantém sem se reorganizar
A relação deixa de ser campo de conflito e passa a ser campo de manutenção.
6. Considerações finais:
O que se apresenta aqui não é a eliminação da alteridade, mas sua reformulação.
O outro continua presente.
Mas sua função muda.
E essa mudança não é superficial.
Ela atinge diretamente a forma como o sujeito se organiza.
Se o outro não interrompe, não há necessidade de reorganização.
E, sem reorganização, a relação deixa de produzir efeito.
Referências:
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
CAPÍTULO 3 — QUANDO NÃO HÁ TENSÃO: O SUJEITO QUE NÃO SE DESLOCA
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo
Este capítulo aprofunda a hipótese de que a mediação tecnológica altera a função da alteridade ao reduzir a incidência de tensão nas relações. A partir de Freud e André Green, discuto a importância do conflito como condição de constituição psíquica e argumento que, em ambientes mediados, a diminuição da fricção produz um sujeito que permanece em continuidade consigo mesmo. Esse funcionamento não elimina o sofrimento, mas o reorganiza como repetição e esvaziamento.
Palavras-chave: tensão; conflito; alteridade; narcisismo; repetição
1. Introdução
Se, como sustentei anteriormente, o outro deixa de operar como presença e passa a aparecer como discurso, a consequência imediata não é o isolamento.
É outra coisa.
É a redução da tensão.
E essa redução não é um detalhe.
Ela altera a própria condição de constituição do sujeito.
2. Freud e a função do conflito:
Em Freud (1930), o sujeito não se organiza na ausência de conflito, mas a partir dele.
O outro não é apenas um elemento da relação.
Ele é aquilo que interrompe o sujeito.
Ele introduz:
frustração
limite
impossibilidade
Sem isso, não há necessidade de reorganização psíquica.
O conflito não é um erro da relação.
Ele é sua condição.
3. A diminuição da fricção:
O que observei — e que hoje se intensifica — é uma reorganização dessa dinâmica.
A relação mediada tende a reduzir a incidência de conflito.
Não porque elimina divergências.
Mas porque organiza sua apresentação.
O outro aparece:
mais controlado
mais ajustado
mais previsível
A tensão não desaparece completamente.
Mas deixa de operar como força estruturante.
4. André Green e o narcisismo de morte:
André Green (1988) descreve uma forma de funcionamento em que o sujeito não se constitui na relação com o outro, mas na manutenção de um circuito fechado.
Nesse contexto, o problema não é o excesso de conflito.
É sua ausência efetiva.
O sujeito não é atravessado.
Ele se mantém.
E essa manutenção não produz estabilidade.
Produz esvaziamento.
5. O sujeito que não se desloca:
A partir dessa articulação, proponho que a redução da tensão nas relações mediadas produz um sujeito que não se desloca.
Ele:
responde sem se comprometer
interage sem se reorganizar
permanece sem se transformar
Não se trata de um sujeito sem relação.
Mas de um sujeito cuja relação não produz efeito.
6. Repetição como forma de sofrimento:
A ausência de tensão não elimina o sofrimento.
Ela o transforma.
O que aparece é:
repetição
exaustão
sensação de vazio
O sujeito continua.
Mas não avança.
A relação não o atravessa.
7. Considerações finais:
Se o conflito é condição de constituição, sua redução reorganiza o sujeito.
Não há desaparecimento da relação.
Há alteração de sua função.
O outro permanece.
Mas não desloca.
E, sem deslocamento, a subjetividade tende à continuidade.
Referências:
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
GREEN, André. Narcisismo de morte. São Paulo: Escuta, 1988.
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
Notas do Autor:
Este texto constitui uma elaboração crítico-ensaística, sem finalidade de orientação ou prescrição, em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta instrumental de organização textual.
Mini bio:
José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), com atuação voltada à análise das condições materiais e discursivas do sofrimento psíquico contemporâneo.
O resto está no texto completo. Quem quiser conforto, pode parar por aqui.
#alokadorole @alokdorole_personagem #maispertodaignorancia
CAPÍTULO 4 — O FALSO ENCONTRO: QUANDO A RELAÇÃO NÃO PRODUZ EFEITO
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo:
Este capítulo aprofunda a análise da transformação da alteridade nas relações mediadas, articulando a hipótese do “outro como discurso” com a noção de narcisismo cultural em Christopher Lasch. Argumento que, no contexto contemporâneo, o encontro com o outro tende a ser substituído por formas de validação recíproca, nas quais a relação não produz deslocamento subjetivo. Esse funcionamento sustenta uma experiência relacional contínua, porém esvaziada de efeito, na qual o sujeito se mantém em um circuito de confirmação de si.
Palavras-chave: narcisismo; alteridade; validação; subjetividade; relação
1. Introdução
Se, nos capítulos anteriores, sustentei que o outro deixa de operar como presença e que a tensão se reduz, o passo seguinte é observar o que se instala no lugar dessa perda.
A relação não desaparece.
Ela continua.
Mas muda de função.
O que começa a aparecer é uma forma de encontro que não produz efeito.
Um encontro que não atravessa.
Um encontro que não desorganiza.
2. Lasch e o narcisismo cultural:
Christopher Lasch (1983) descreve uma reorganização da subjetividade marcada pela centralidade do eu.
Nesse contexto, o sujeito não se orienta mais por:
tradição
continuidade histórica
pertencimento coletivo
Ele passa a operar em regime de manutenção de si.
Isso não significa isolamento absoluto.
Significa outra forma de relação.
Uma relação que não visa o outro como alteridade, mas como confirmação.
3. A validação como substituto do encontro:
A partir dessa leitura, proponho que a relação mediada tende a se organizar em torno da validação.
O outro aparece como:
resposta esperada
reconhecimento ajustado
espelho funcional
A relação deixa de ser um campo de risco.
Ela se torna um espaço de confirmação.
O sujeito não encontra o outro.
Ele encontra uma versão do outro que sustenta sua própria organização.
4. O falso encontro:
Chamo de “falso encontro” essa forma de relação que se mantém sem produzir deslocamento.
Não se trata de ausência de interação.
Há troca.
Há resposta.
Há continuidade.
Mas não há efeito.
O sujeito não se transforma.
Não se desorganiza.
Não precisa se reposicionar.
O encontro acontece.
Mas não atravessa.
5. A manutenção do eu:
Nesse funcionamento, o eu se mantém.
Não porque é estável.
Mas porque não é tensionado.
A ausência de conflito direto impede a necessidade de reorganização.
O sujeito permanece em um circuito de:
confirmação
repetição
ajuste mínimo
A relação não exige trabalho psíquico significativo.
6. Consequências para a subjetividade:
O que se produz é uma forma de subjetividade marcada por:
dependência de reconhecimento
dificuldade de sustentar frustração
necessidade constante de validação
Isso não elimina o sofrimento.
Mas o reorganiza.
O sujeito sofre.
Mas não a partir do conflito com o outro.
Sofre a partir da ausência dele enquanto alteridade.
7. Considerações finais:
A relação mediada não elimina o outro.
Mas o transforma.
O encontro deixa de ser um evento que produz deslocamento.
E passa a ser um processo que mantém o sujeito em si mesmo.
O outro continua presente.
Mas não opera.
Referências:
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
GREEN, André. Narcisismo de morte. São Paulo: Escuta, 1988.
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
Notas do Autor:
Este texto constitui uma elaboração crítico-ensaística, sem finalidade de orientação ou prescrição, em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta instrumental de organização textual.
Mini bio:
José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), com atuação voltada à análise das condições materiais e discursivas do sofrimento psíquico contemporâneo.
O resto está no texto completo. Quem quiser conforto, pode parar por aqui.
#alokadorole @alokdorole_personagem #maispertodaignorancia
CAPÍTULO 5 — O SUJEITO QUE CONTINUA: QUANDO NÃO HÁ INTERRUPÇÃO
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo:
Este capítulo articula a hipótese desenvolvida anteriormente com a noção de sociedade de desempenho em Byung-Chul Han, propondo que a redução da tensão e a transformação da alteridade produzem um sujeito que se mantém em funcionamento contínuo. Argumenta-se que, na contemporaneidade, a ausência de interrupção — antes estruturada pelo conflito com o outro — dá lugar a uma lógica de continuidade, na qual o sujeito não é impedido, mas estimulado a seguir. Tal configuração não elimina o sofrimento, mas o reorganiza como exaustão e repetição.
Palavras-chave: desempenho; continuidade; exaustão; subjetividade; mediação
1. Introdução:
Se o outro não interrompe, algo precisa ocupar esse lugar.
A relação não desaparece.
A validação se mantém.
A continuidade se instala.
E é nesse ponto que a formulação de Byung-Chul Han se torna central.
Não se trata mais de um sujeito impedido.
Mas de um sujeito que continua.
2. Da interdição ao desempenho:
Em modelos anteriores, a constituição do sujeito passava pela interdição.
Havia limite.
Havia negação.
Havia aquilo que não podia ser realizado.
Esse limite operava como organizador.
Introduzia corte.
Produzia conflito.
Exigia elaboração.
Na contemporaneidade, essa lógica se desloca.
O sujeito não é mais impedido.
Ele é incentivado.
Ele pode.
Ele deve.
Ele continua.
3. O sujeito de desempenho:
Han (2015) descreve a emergência de um sujeito que não se organiza a partir da proibição, mas da exigência de desempenho.
Esse sujeito não encontra barreiras externas claras.
O que encontra é um campo aberto.
Mas esse campo não é liberdade no sentido clássico.
É exigência contínua de funcionamento.
O sujeito passa a operar como:
gestor de si
produtor de si
mantenedor de si
4. A ausência de interrupção:
A partir da hipótese desenvolvida neste trabalho, proponho que a transformação da alteridade contribui diretamente para essa lógica.
Se o outro não interrompe:
não há corte
não há pausa
não há limite efetivo
A relação não desacelera o sujeito.
Ela o mantém.
O fluxo não é interrompido.
Ele é sustentado.
5. Continuidade como forma de organização:
O que se instala é um regime de continuidade.
O sujeito:
permanece conectado
permanece ativo
permanece em circulação
Essa continuidade não depende de imposição externa.
Ela se mantém porque não há força suficiente para interrompê-la.
O outro, que antes operava como limite, já não exerce essa função.
6. Exaustão como efeito
A ausência de interrupção não produz estabilidade.
Produz exaustão.
O sujeito não para.
Mas também não avança.
Ele continua.
E essa continuidade se manifesta como:
cansaço constante
dificuldade de desligamento
sensação de esgotamento
O sofrimento não vem do excesso de proibição.
Mas da impossibilidade de parar.
7. Considerações finais:
Se, anteriormente, o sujeito se organizava a partir do conflito com o outro, agora ele se mantém na ausência desse conflito.
O outro não desaparece.
Mas não interrompe.
E, sem interrupção, o sujeito continua.
Não por escolha.
Mas por funcionamento.
Referências
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
Notas do Autor:
Este texto constitui uma elaboração crítico-ensaística, sem finalidade de orientação ou prescrição, em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta instrumental de organização textual.
Mini bio:
José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), com atuação voltada à análise das condições materiais e discursivas do sofrimento psíquico contemporâneo.
O resto está no texto completo. Quem quiser conforto, pode parar por aqui.
#alokadorole @alokdorole_personagem #maispertodaignorancia
CAPÍTULO 6 — QUANDO O OUTRO DEIXA DE EXISTIR COMO LIMITE
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo:
Este capítulo consolida a hipótese central do trabalho ao sustentar que, nas formas contemporâneas de mediação tecnológica, o outro deixa de operar como limite estruturante na constituição do sujeito. A partir da articulação entre Freud, Bauman, Lasch e Byung-Chul Han, argumenta-se que não se trata do desaparecimento do outro, mas da transformação de sua função. O outro permanece enquanto presença discursiva, porém perde sua incidência como alteridade efetiva, produzindo um sujeito que se mantém em continuidade consigo mesmo. Tal configuração não elimina o sofrimento, mas o reorganiza como repetição, exaustão e esvaziamento.
Palavras-chave: alteridade; limite; subjetividade; mediação; repetição
1. Introdução:
Ao longo deste trabalho, sustentei que a questão inicial — formulada entre 2018 e 2019 — não dizia respeito à tecnologia em si, mas à transformação da relação com o outro.
Neste ponto, a formulação pode ser explicitada com maior precisão:
— O outro não desaparece, mas deixa de existir como limite.
Essa distinção é fundamental.
Porque o problema não é a ausência.
É a função.
2. Freud e o outro como limite:
Em Freud (1930), o outro é condição de constituição.
Ele introduz:
frustração
conflito
impossibilidade
É a partir dessa incidência que o sujeito se reorganiza.
Sem limite, não há necessidade de elaboração.
3. Bauman e a fragilização dos vínculos:
Bauman (2001) descreve a dissolução das relações estáveis.
O outro deixa de ser referência durável.
Passa a ser:
transitório
substituível
ajustável
Essa fragilização reduz a capacidade do outro de operar como limite.
4. Lasch e o fechamento narcísico:
Em Lasch (1983), o sujeito se volta para si.
O outro não é buscado como alteridade.
Mas como confirmação.
A relação não produz deslocamento.
Ela sustenta o eu.
5. Han e a continuidade sem corte:
Han (2015) descreve um sujeito que não é interrompido.
Ele continua.
Ele se mantém.
Ele não encontra barreiras externas claras.
E, sem interrupção, não há corte.
6. A transformação da função do outro:
A partir dessas articulações, proponho que:
o outro permanece como presença discursiva,
mas perde sua função estrutural.
Ele aparece:
como resposta
como imagem
como interação
Mas não incide como limite.
7. O sujeito sem deslocamento
Sem a incidência do outro, o sujeito tende à continuidade.
Ele:
se mantém em si
não é forçado a se reorganizar
não encontra ruptura suficiente
Isso não produz autonomia.
Produz manutenção.
8. O sofrimento reorganizado
A ausência de limite não elimina o sofrimento.
Ela o transforma.
O que aparece é:
repetição
exaustão
esvaziamento
O sujeito continua funcionando.
Mas sem deslocamento efetivo.
9. Considerações finais
O problema contemporâneo não é a ausência do outro.
É sua transformação.
O outro não desapareceu.
Mas deixou de operar como aquilo que interrompe.
E, sem interrupção, o sujeito continua.
Referências:
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
Notas do Autor:
Este texto constitui uma elaboração crítico-ensaística, sem finalidade de orientação ou prescrição, em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta instrumental de organização textual.
Mini bio:
José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), com atuação voltada à análise das condições materiais e discursivas do sofrimento psíquico contemporâneo.
O resto está no texto completo. Quem quiser conforto, pode parar por aqui.
#alokadorole @alokdorole_personagem #maispertodaignorancia
CAPÍTULO 7 — O TCC NEGADO COMO DIAGNÓSTICO ANTECIPADO
José Antônio Lucindo da Silva
Resumo:
Este capítulo propõe uma releitura da recusa institucional do Trabalho de Conclusão de Curso elaborado entre 2018 e 2019, compreendendo-a não como falha metodológica ou insuficiência teórica, mas como indício de um descompasso entre a formulação do problema e as condições de reconhecimento acadêmico da época. Argumenta-se que a hipótese central — a transformação da função do outro em contextos mediados — antecipa fenômenos que se tornam mais evidentes no cenário contemporâneo. A recusa, nesse sentido, é interpretada como dado relevante para a análise, e não como invalidação da proposta.
Palavras-chave: institucionalidade; reconhecimento; subjetividade; tecnologia; teoria
1. Introdução:
Entre 2018 e 2019, ao propor um Trabalho de Conclusão de Curso centrado na transformação da relação com o outro em ambientes mediados, o que encontrei não foi debate.
Foi recusa.
Naquele momento, a pergunta não encontrou lugar.
Não por ausência de fundamento.
Mas por não se ajustar às formas disponíveis de enquadramento.
2. A recusa como fenômeno:
A recusa não pode ser compreendida apenas como um evento administrativo.
Ela indica um limite.
Um limite do próprio campo.
O que não pode ser reconhecido não é necessariamente inexistente.
Pode ser apenas não assimilável naquele momento.
3. O descompasso temporal:
A hipótese formulada à época não se organizava em torno de categorias consolidadas.
Ela não tratava de:
transtorno específico
comportamento mensurável
intervenção direta
Ela deslocava o problema para o nível da estrutura.
E esse tipo de deslocamento exige um tempo que nem sempre coincide com o tempo institucional.
4. A atualização do problema:
Ao retomar a questão em 2026, o cenário se apresenta de forma distinta.
Aquilo que era hipótese passa a encontrar correspondência empírica mais evidente:
relações mediadas por algoritmos
presença substituída por interação
continuidade sem interrupção
O que não foi reconhecido como problema passa a operar como condição.
5. A recusa como dado teórico:
A partir disso, proponho que a recusa do trabalho não seja descartada, mas incorporada como elemento de análise.
Ela revela:
os limites de reconhecimento do campo
as formas de validação institucional
as dificuldades de absorção de deslocamentos teóricos
A recusa não invalida a hipótese.
Ela a situa.
6. Continuidade da questão:
O que se manteve não foi o projeto formal.
Foi a pergunta.
E essa pergunta continuou operando fora do espaço acadêmico.
Na escrita.
Na observação.
Na experiência.
A ausência de validação institucional não impediu sua permanência.
7. O TCC que não se encerra:
Diferente de um trabalho concluído, o TCC negado não se fecha.
Ele não se encerra em uma banca.
Ele permanece como questão aberta.
Isso não o torna incompleto.
Mas desloca sua forma de existência.
8. Considerações finais:
A recusa não é apenas um fim.
Ela pode ser compreendida como um ponto de inflexão.
O que não foi aceito em 2018–2019 retorna em 2026 sob outra forma.
Não como correção.
Mas como continuidade.
A pergunta permanece.
E, ao permanecer, desloca o próprio campo em que foi recusada.
Referências:
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
Notas do Autor:
Este texto constitui uma elaboração crítico-ensaística, sem finalidade de orientação ou prescrição, em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta instrumental de organização textual.
Mini bio
José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), com atuação voltada à análise das condições materiais e discursivas do sofrimento psíquico contemporâneo.
O resto está no texto completo. Quem quiser conforto, pode parar por aqui.
#alokadorole @alokdorole_personagem #maispertodaignorancia
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