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EU NÃO QUERO SABER QUEM É O NARCISO DA SALA. QUERO SABER QUEM CONSTRUIU O ESPELHO, QUEM VIROU ECO, QUEM ESTÁ RECEBENDO A RESPOSTA E O QUE O CORPO ESTÁ FAZENDO ENQUANTO TODO MUNDO DISCUTE A IMAGEM.

EU NÃO QUERO SABER QUEM É O NARCISO DA SALA. QUERO SABER QUEM CONSTRUIU O ESPELHO, QUEM VIROU ECO, QUEM ESTÁ RECEBENDO A RESPOSTA E O QUE O CORPO ESTÁ FAZENDO ENQUANTO TODO MUNDO DISCUTE A IMAGEM. Introdução: antes de chamar alguém de Narciso, diga de qual narcisismo você está falando Eu estava numa live sobre narcisismo. Até aí, nada de extraordinário. O século XXI conseguiu transformar praticamente qualquer conceito em conteúdo de trinta segundos, então era só mais uma noite ordinária da humanidade tentando explicar a própria desgraça com uma palavra que cabe numa legenda. Em determinado momento, eu perguntei: “Ô, maluco, de que narcisismo você está falando?” Primário? Secundário? Narcisismo como investimento libidinal? Narcisismo de vida? Narcisismo de morte? A tradição freudiana? André Green? Christopher Lasch? Uma leitura social? Uma leitura clínica? Uma metáfora cultural? Silêncio. E foi aí que começou o problema. Não porque alguém tenha falado sobre narcisismo. O pro...

QUANDO A MÁQUINA ENTRA NA CLÍNICA, QUEM FICA DO LADO DE FORA?

QUANDO A MÁQUINA ENTRA NA CLÍNICA, QUEM FICA DO LADO DE FORA? A Loka do Rolê Eu ouvi aquela frase: “Tem gente procurando o computador, o robô, a inteligência artificial para ser seu psiquiatra.” E fiquei pensando que talvez a pergunta esteja ligeiramente errada. Não porque a inteligência artificial não esteja entrando na saúde mental. Ela está. A pergunta errada é imaginar que o fenômeno começa na máquina. Eu quero começar antes. Quero começar no sujeito. No corpo. Na solidão. Na disponibilidade. Na falta de tempo. Na dificuldade de encontrar alguém. Na dificuldade de pagar alguém. Na dificuldade de chegar a alguém. Porque antes de existir o chatbot existia uma pessoa precisando falar. E isso muda tudo. Eu não quero transformar a inteligência artificial em vilã. Isso seria intelectualmente preguiçoso. E a humanidade já produz vilões suficientes sem precisar fabricar um robô com capa preta. Também não quero transformar a IA em salvadora. O problema é just...

PERFECCIONISMO NÃO É PROCRASTINAÇÃO: UMA OPOSIÇÃO DISCURSIVA ENTRE A BUSCA DA PERFEIÇÃO, O ADIAMENTO E A VELOCIDADE CONTEMPORÂNEA

PERFECCIONISMO NÃO É PROCRASTINAÇÃO: UMA OPOSIÇÃO DISCURSIVA ENTRE A BUSCA DA PERFEIÇÃO, O ADIAMENTO E A VELOCIDADE CONTEMPORÂNEA Autor: Psicólogo CRP ativo. Resumo A afirmação de que “o perfeccionista é o procrastinador disfarçado” tornou-se uma formulação de circulação relativamente fácil no discurso contemporâneo sobre comportamento, produtividade e desenvolvimento pessoal. A frase estabelece uma equivalência entre dois fenômenos que podem se relacionar, mas que não são conceitualmente idênticos. Este artigo realiza uma oposição discursiva a essa formulação, tomando como problema central a distinção entre perfeccionismo e procrastinação. A partir de obras presentes no acervo utilizado nesta investigação, especialmente Bauman, Gold, Barnhill, a CID-11 e Roudinesco e Plon, discute-se o perfeccionismo como possível relação com padrões elevados de suficiência, erro, avaliação e controle, enquanto a procrastinação é examinada a partir de sua dimensão temporal e do adiamen...