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QUANDO O SOFRIMENTO VIRA PONTUAÇÃO: QUEM AINDA ESTÁ OLHANDO PARA O CORPO?

QUANDO O SOFRIMENTO VIRA PONTUAÇÃO: QUEM AINDA ESTÁ OLHANDO PARA O CORPO?




AUTOR
José Antônio Lucindo da Silva

PROJETO
Mais Perto da Ignorância — MPI

PALAVRAS-CHAVE
avaliação psicológica, BDI, BAI, sofrimento psíquico, psicometria, cuidado, corpo, trabalho, sociedade do desempenho, autoavaliação, discursividade digital, inteligência artificial, dados comportamentais, psicologia hospitalar, materialidade, demanda, subjetividade


RESUMO:

Há uma discussão aparentemente simples circulando: quem pode aplicar determinados instrumentos psicológicos? A pergunta parece jurídica, corporativa, profissional. Talvez seja. Mas é justamente quando uma pergunta parece pequena demais que a Loka do Rolê desconfia. Porque, enquanto se disputa quem segura o instrumento, o sofrimento continua segurando o corpo. Este artigo parte da controvérsia em torno da avaliação psicológica, dos instrumentos BDI e BAI, da atuação institucional, da autoavaliação digital e da crescente disponibilidade de ferramentas capazes de transformar experiências em respostas, pontuações e categorias. A investigação não procura decidir quem está certo. Procura observar o que permanece quando a disputa termina. Marx recoloca o trabalho e a materialidade; Han tensiona a sociedade do desempenho; Freud lembra que o mal-estar não chega pronto com o nome que recebe; Foucault permite interrogar os efeitos da classificação; Bauman recoloca a precariedade das estruturas; Zuboff permite pensar a transformação da experiência em dado. No meio disso tudo permanece uma pergunta desagradavelmente simples: quando conseguimos medir cada vez mais o sofrimento, estamos necessariamente conseguindo cuidar melhor de quem sofre?


INTRODUÇÃO — A ESCALA CHEGOU ANTES DO CORPO:

Há uma cena contemporânea que merece ser observada sem o entusiasmo habitual das redes sociais.

Alguém sofre.

Depois procura uma explicação.

Depois encontra um teste.

Depois encontra uma pontuação.

Depois encontra um vídeo explicando a pontuação.

Depois encontra alguém dizendo que aquela pontuação significa alguma coisa sobre sua personalidade.

Depois encontra outro teste.

Depois outro vídeo.

Depois uma promessa de produtividade.

Depois uma promessa de cura.

Depois um aplicativo.

E, quando percebe, o sofrimento que começou como experiência corporal já está circulando como conteúdo.

Bonito, organizado, compartilhável.

Quase dá vontade de emoldurar.

O problema é que o corpo não cabe muito bem na moldura.

É aqui que começa nossa investigação.

A discussão sobre BDI, BAI, avaliação psicológica, aplicação de instrumentos, limites profissionais e novas formas de acesso a ferramentas psicométricas não deveria ser reduzida a uma briga de território entre profissões. Essa disputa possui dimensões jurídicas e institucionais concretas, evidentemente. No Brasil, documentos de orientação do próprio campo da Psicologia distinguem avaliação psicológica de simples aplicação de testes e afirmam que a avaliação constitui processo amplo, integrando diferentes fontes de informação. O mesmo material registra a previsão legal relativa ao uso profissional de testes psicológicos. 

Mas a Loka desconfia de perguntas que terminam exatamente onde deveriam começar.

“Quem pode aplicar?”

Tudo bem.

Mas antes:

o que está sendo aplicado?

E antes ainda:

o que aconteceu com a experiência humana para que ela precisasse chegar até uma escala?

Aí começa a parte menos confortável.

Porque o teste é uma ferramenta.

E ferramenta não é pecado.

Também não é salvação.

É ferramenta.

O problema começa quando a ferramenta deixa de ser reconhecida como ferramenta e passa a ocupar o lugar daquilo que deveria investigar.

Uma régua mede.

Não pergunta por que a parede foi construída torta.

Um termômetro mede temperatura.

Não escreve a história do inverno.

Uma escala pode organizar determinados indicadores.

Não necessariamente contém a história do sujeito.

E talvez essa seja a primeira parede onde precisamos escrever:

MEDIR NÃO É CONHECER.


1. O SOFRIMENTO NÃO NASCE COM A PONTUAÇÃO

O sujeito não acorda pela manhã com uma tabela psicométrica instalada no peito.

Ele acorda cansado.

Ou não dorme.

Ou trabalha.

Ou perde o trabalho.

Ou volta para casa.

Ou não tem casa adequada.

Ou precisa cuidar de alguém.

Ou não consegue cuidar de si.

Ou continua trabalhando mesmo doente.

Ou passa horas diante de uma tela.

Ou tenta responder mensagens enquanto come.

Ou come enquanto trabalha.

Ou trabalha enquanto pensa que deveria descansar.

Depois abre o celular.

E descobre que deveria estar melhor.

Uma maravilha.

O mercado conseguiu transformar até a incapacidade de descansar em mais uma oportunidade de consumo.

Aqui Marx ainda tem algo desagradável a dizer.

O trabalho não aparece simplesmente como uma atividade abstrata. Ele está relacionado à reprodução material da existência. A análise marxiana apresentada no material do arquivo recoloca a força de trabalho dentro das relações de produção e mostra como o trabalho participa concretamente da produção de valor. 

Isso importa porque o corpo que trabalha não desaparece quando o discurso passa a falar em desempenho.

O corpo continua lá.

O salário continua sendo necessário.

O aluguel continua existindo.

A comida continua custando.

O deslocamento continua consumindo tempo.

A doença continua interrompendo a produção.

O sono continua sendo fisiológico.

A morte continua sendo absolutamente democrática.

Só o discurso parece ter descoberto a possibilidade de ignorar tudo isso.

E então aparece a psicometria.

Não como vilã.

Como instrumento.

O problema é outro.

Em que circuito social esse instrumento está sendo utilizado?


2. O SUJEITO DE DESEMPENHO TAMBÉM PRECISA DE UMA PONTUAÇÃO

Byung-Chul Han entra aqui quase sem bater.

Em Sociedade do Cansaço, o sujeito contemporâneo aparece marcado pela passagem de uma coerção externa para uma forma de coerção internalizada. A exigência de desempenho passa a ser experimentada como liberdade, e o sujeito pode simultaneamente ocupar as posições de explorador e explorado. 

É uma ideia útil para o nosso problema.

Porque talvez o sujeito contemporâneo não diga apenas:

“Estou sofrendo.”

Ele pode dizer:

“Não estou produzindo o suficiente.”

“Não estou rendendo.”

“Não estou conseguindo acompanhar.”

“Não estou sendo minha melhor versão.”

“Estou procrastinando.”

“Estou ansioso.”

“Estou deprimido.”

Observe a sequência.

O sofrimento pode chegar já traduzido pela gramática do desempenho.

Não estamos dizendo que ansiedade ou depressão sejam simplesmente produtos dessa sociedade.

Isso seria grosseiro demais.

Estamos perguntando outra coisa:

como as condições sociais disponíveis participam da maneira como o sofrimento é nomeado?

Essa diferença é decisiva.

A pessoa pode estar sofrendo profundamente.

Mas o modo como ela aprende a descrever esse sofrimento não nasce no vácuo.

Ele encontra palavras disponíveis.

Encontra vídeos.

Encontra influenciadores.

Encontra especialistas.

Encontra testes.

Encontra aplicativos.

Encontra algoritmos.

Encontra publicidade.

Encontra uma indústria inteira de interpretação da própria vida.

E o curioso é que, quanto mais o sujeito tenta compreender a si mesmo, mais material recebe para continuar se interpretando.

A máquina de interpretação nunca fecha.

Talvez porque fechar a interpretação não seja tão lucrativo.


3. BDI, BAI E A TENTAÇÃO DE TRANSFORMAR EXPERIÊNCIA EM NÚMERO

BDI e BAI entram nesse debate justamente porque representam uma coisa muito poderosa da modernidade:

a possibilidade de transformar determinadas experiências em medidas estruturadas.

Isso tem valor científico quando utilizado dentro de seus limites.

O problema começa quando a pontuação passa a ser confundida com identidade.

Uma medida pode responder a uma pergunta delimitada.

Ela não necessariamente responde:

“Quem sou eu?”

“Por que cheguei aqui?”

“O que aconteceu comigo?”

“O que significa minha vida?”

“O que está acontecendo no meu trabalho?”

“O que aconteceu com meu corpo?”

“Que relações produziram esta experiência?”

E principalmente:

“Por que estou perguntando isso agora?”

Esta última pergunta é uma das mais importantes para o MPI.

Porque a demanda não é um objeto neutro.

A demanda possui história.

Ela nasce em condições concretas.

Uma pessoa não procura um teste porque acordou em um universo sem história.

Ela procura porque alguma coisa aconteceu.

Ou porque alguma coisa continua acontecendo.

Ou porque uma palavra encontrada na internet passou a parecer explicar aquilo que sente.

Ou porque alguém disse que determinado conjunto de sintomas significa determinada coisa.

Ou porque o próprio ambiente social transformou determinado estado em problema.

Aqui Freud volta à mesa.

Não como oráculo.

Como cadáver discursivo.

O material disponível sobre o mal-estar na atualidade retoma a crítica freudiana à promessa moderna de felicidade universal produzida pela ciência, pelo progresso e pela técnica. O mal-estar não desaparece simplesmente porque uma sociedade desenvolve novas ferramentas para administrá-lo. 

É uma pancada conceitual importante.

Porque talvez nossa sociedade esteja desenvolvendo instrumentos cada vez mais sofisticados para responder ao sofrimento sem necessariamente responder às condições que o produzem, o atravessam ou o tornam inteligível.

E isso não significa que o instrumento seja inútil.

Significa que a utilidade de uma ferramenta não autoriza sua transformação em explicação total do mundo.


4. A PERGUNTA MAIS INCÔMODA: QUEM DEFINIU O PROBLEMA?

Aqui entra o Kobayashi Maru do MPI.

Antes de perguntar se o teste funciona, pergunte:

quem definiu aquilo que o teste deveria medir?

Antes de perguntar se alguém pode aplicar, pergunte:

qual é exatamente a operação que está sendo realizada?

Antes de perguntar se o sujeito apresenta determinada característica, pergunte:

qual pergunta foi feita ao sujeito para que aquela característica pudesse aparecer?

E antes de perguntar se o resultado está correto:

o que ficou de fora porque não cabia na pergunta?

Esse é o ponto em que o princípio do negativo aparece.

Toda ferramenta ilumina alguma coisa.

E, ao iluminar alguma coisa, inevitavelmente deixa outras coisas na sombra.

Não porque seja má.

Porque é limitada.

Uma escala pode organizar respostas.

Mas não registra automaticamente o cheiro do quarto.

Não registra o trajeto até o trabalho.

Não registra a fome.

Não registra a dívida.

Não registra o silêncio de uma casa.

Não registra uma noite inteira acordado cuidando de alguém.

Não registra a humilhação.

Não registra a precariedade.

Não registra a história de uma perda.

Não registra o que o sujeito ainda não consegue dizer.

Não registra aquilo que sequer foi perguntado.

E então a pergunta retorna:

o que está faltando aqui?


5. AVALIAR NÃO É APENAS APLICAR UM TESTE

Esse ponto é particularmente importante porque a própria documentação de orientação psicológica disponível no arquivo faz uma distinção fundamental: avaliação psicológica é processo mais amplo e pode integrar testes, entrevistas, observações e análise documental. O mesmo material ressalta que os resultados devem considerar condicionantes históricos e sociais e seus efeitos sobre o psiquismo. 

Isso desmonta uma caricatura.

O problema não é simplesmente:

teste ruim versus psicólogo bom.

Muito menos:

psicólogo contra enfermagem.

A questão é mais difícil.

É possível possuir uma ferramenta tecnicamente sofisticada e utilizá-la dentro de uma compreensão estreita.

Também é possível utilizar uma ferramenta limitada e reconhecer seus limites.

O problema não reside apenas no objeto.

Reside no circuito em que ele entra.

E isso muda a discussão.

Porque a avaliação psicológica não deveria ser confundida com a simples obtenção de uma pontuação.

A pontuação é uma informação.

A informação precisa de contexto.

O contexto precisa de interpretação.

A interpretação precisa reconhecer limites.

E o sujeito não desaparece em nenhuma dessas etapas.

Pelo menos não deveria.


6. O HOSPITAL E A DISTÂNCIA ENTRE O PACIENTE E O PROFISSIONAL

Aqui a nossa investigação encontra o hospital.

E o hospital é um lugar interessante porque nele a abstração costuma ser humilhada rapidamente pela materialidade.

O paciente está com dor.

Está internado.

Está esperando.

Está com medo.

Está sem dormir.

Está longe de casa.

Está dependendo de alguém.

Existe uma equipe.

Existem protocolos.

Existem prontuários.

Existem horários.

Existem medicamentos.

Existem leitos.

Existem equipamentos.

Existem profissionais com funções diferentes.

E existe uma coisa que nenhum organograma consegue resolver:

o paciente continua sendo um corpo.

É compreensível que diferentes profissionais participem do cuidado.

Aliás, a própria realidade hospitalar exige trabalho interdisciplinar.

Mas justamente por isso precisamos fugir da simplificação corporativa.

A questão não deveria ser:

“quem vai ganhar o território?”

Porque o paciente não é território.

O paciente é aquele que permanece no centro de uma rede de cuidado — e, paradoxalmente, pode ser o elemento mais facilmente perdido quando todos começam a disputar a propriedade técnica sobre alguma ferramenta.

A Loka olha para a cena e pergunta:

vocês estão discutindo quem segura a régua enquanto o paciente continua sentindo a dor?

É uma pergunta cruel.

Mas não é uma acusação.

É uma interrupção.


7. QUANTO MAIS PRÓXIMO DO PACIENTE, MAIS DISTANTE ELE PODE FICAR

Existe aqui uma contradição que merece ser preservada.

Quanto mais instrumentos temos para conhecer o paciente, maior pode ser nossa capacidade de descrevê-lo.

Mas descrever mais não significa necessariamente compreender mais.

Podemos ter:

pontuação;

prontuário;

histórico;

questionário;

imagem;

biometria;

registro;

relatório;

dados comportamentais;

informações digitais.

E ainda assim não saber perguntar:

o que está acontecendo com este corpo aqui?

A tecnologia pode aumentar nossa capacidade de registrar.

Mas o registro não substitui automaticamente a relação.

A ferramenta pode aproximar uma informação.

Não necessariamente aproxima o sujeito.

Essa distinção é central.


8. QUANDO A EXPERIÊNCIA VIRA DADO

É aqui que Shoshana Zuboff entra.

No material disponível em nosso arquivo, Zuboff descreve o capitalismo de vigilância como uma estrutura que transforma aspectos da experiência humana em dados comportamentais e utiliza esses dados para produzir previsões e formas de intervenção sobre o comportamento. 

Precisamos tomar cuidado.

BDI não é capitalismo de vigilância.

BAI não é capitalismo de vigilância.

Um teste psicológico não deve ser automaticamente colocado na mesma categoria de uma plataforma comercial.

Seria uma comparação preguiçosa.

Mas existe uma tensão comum que merece investigação:

a transformação da experiência em informação estruturada.

O sujeito sente.

Responde.

O sistema registra.

O resultado aparece.

E então o dado retorna ao sujeito como interpretação possível de si mesmo.

No ambiente digital isso pode ganhar velocidade.

Uma pessoa procura:

“sintomas de ansiedade”.

Encontra uma lista.

Reconhece alguns sintomas.

Faz um teste.

Recebe um resultado.

Procura o resultado.

Encontra vídeos.

Encontra pessoas falando sobre aquilo.

Encontra publicidade.

Encontra comunidades.

Encontra outros testes.

A experiência inicial agora possui uma arquitetura discursiva.

Ela ganhou nome.

Ganhou métrica.

Ganhou narrativa.

Ganhou mercado.

E talvez tenha ganhado também uma identidade.

Aqui está a nossa hipótese.

Não uma conclusão.

A ferramenta pode não apenas medir uma demanda já constituída; em determinados ambientes, ela pode participar da maneira como a demanda passa a ser formulada.


9. A INTERNET NÃO INVENTOU O SOFRIMENTO

É importante não cometer o erro inverso.

A internet não inventou a ansiedade.

Não inventou a depressão.

Não inventou o sofrimento.

Não inventou o trabalho.

Não inventou o desejo de compreender a própria vida.

Não inventou a busca por explicações.

A internet acrescentou uma camada.

E essa camada possui infraestrutura.

Plataformas.

Métricas.

Recomendação.

Publicidade.

Dados.

Engajamento.

Velocidade.

Disponibilidade.

O digital não substituiu o mundo.

Entrou dentro dele.

Essa diferença precisa ser preservada.

O trabalhador continua trabalhando fora da tela.

O corpo continua adoecendo fora da tela.

A pessoa continua dormindo — ou tentando dormir — fora da tela.

Mas a tela pode acompanhar o sofrimento até dentro da cama.

E talvez seja esse o detalhe que muda tudo.


10. AUTOAJUDA: A FÁBRICA DA EXPLICAÇÃO RÁPIDA

Agora chegamos a um dos pontos mais espinhosos.

A indústria contemporânea da autoajuda frequentemente transforma sofrimento em narrativa de superação.

“Você consegue.”

“Você precisa se conhecer.”

“Descubra seu perfil.”

“Faça o teste.”

“Identifique seus bloqueios.”

“Destrave sua mente.”

“Potencialize seu desempenho.”

Tudo parece muito simpático.

Quase uma feira livre da subjetividade.

Só falta vender três quilos de autoestima e sair com um brinde.

Mas a ironia não deve esconder a estrutura.

Existe uma diferença entre oferecer linguagem para uma experiência e transformar qualquer experiência em produto de consumo.

Quando o sofrimento é convertido em conteúdo, o sujeito pode deixar de perguntar:

“o que está acontecendo comigo?”

e passar a perguntar:

“qual categoria explica quem eu sou?”

A pergunta mudou.

E talvez seja aí que alguma coisa se perde.


11. A PERSONALIDADE COMO PRODUTO DE CONSUMO

Hoje é possível encontrar inúmeras ferramentas digitais que prometem explicar personalidade, ansiedade, estilo de relacionamento, produtividade, perfil profissional e funcionamento emocional.

Novamente: não estamos afirmando que todas sejam equivalentes.

Não são.

Mas existe uma recorrência cultural:

o sujeito quer uma resposta rápida sobre si mesmo.

E o mercado possui uma resposta pronta.

A personalidade vira interface.

A subjetividade vira resultado.

A experiência vira pontuação.

O sofrimento vira categoria.

O indivíduo vira perfil.

E o perfil pode ser compartilhado.

É uma situação curiosa.

Durante séculos, o sujeito procurou respostas para saber quem era.

Agora ele pode preencher um formulário em quatro minutos e receber uma descrição sobre si mesmo antes mesmo de terminar o café.

Progresso?

Talvez.

Também pode ser apenas velocidade.

E velocidade não é sinônimo de profundidade.


12. HAN E MARX SENTADOS NA MESMA CALÇADA

Se Marx pergunta:

“quem produz e em que condições?”

Han pergunta:

“quem exige desempenho e como essa exigência foi internalizada?”

A combinação é desconfortável.

Porque o sujeito contemporâneo pode estar simultaneamente:

produzindo para sobreviver;

produzindo para ser reconhecido;

produzindo para se realizar;

produzindo conteúdo;

produzindo sua própria imagem;

produzindo sua própria terapia;

produzindo sua própria marca;

produzindo sua própria explicação.

E, quando não consegue produzir, pode transformar a própria incapacidade de produzir em objeto de avaliação.

É aí que a psicologia precisa ter cuidado.

Não porque deva abandonar a avaliação.

Mas porque não pode permitir que a linguagem da avaliação seja sequestrada por uma sociedade que deseja transformar qualquer sofrimento em problema de performance individual.

O sofrimento não é necessariamente fracasso.

E o fracasso também não é necessariamente transtorno.

Essa distinção parece óbvia.

Justamente por isso precisa ser repetida.


13. FREUD E O PROBLEMA DO QUE NÃO CABE NA PERGUNTA

Freud nos ajuda a desconfiar da transparência absoluta do sujeito.

O sujeito não é um formulário preenchido de maneira impecável.

Há contradições.

Ambivalências.

Conflitos.

Desejos.

Defesas.

Silêncios.

Coisas que aparecem e coisas que não aparecem.

Isso não significa que qualquer fenômeno precise ser explicado pelo inconsciente.

A parcimônia material do MPI não permitiria esse salto.

Mas significa que a experiência humana não deve ser tratada como se estivesse integralmente disponível para medição.

O sujeito pode saber algo.

Pode não saber.

Pode dizer uma coisa e experimentar outra.

Pode não encontrar palavras.

Pode encontrar palavras demais.

Pode aprender na internet a responder determinada pergunta antes mesmo de descobrir por que aquela pergunta lhe foi feita.

E então a ferramenta encontra uma dificuldade:

ela precisa trabalhar com aquilo que foi apresentado.

Mas aquilo que foi apresentado não necessariamente esgota aquilo que existe.


14. A QUESTÃO NÃO É A FERRAMENTA. É O LUGAR QUE DAMOS A ELA.

Esse talvez seja o ponto de maior maturidade da nossa investigação.

Seria fácil destruir o teste.

Não faremos isso.

Seria fácil defender o teste.

Também não faremos isso.

Seria fácil dizer que determinada profissão é a única legítima.

Também não é essa a investigação.

O que estamos perguntando é:

qual lugar uma sociedade concede a uma ferramenta quando está desesperada por respostas?

Porque existe demanda.

Existe sofrimento.

Existe escassez de tempo.

Existe pressão institucional.

Existe necessidade de triagem.

Existe trabalho hospitalar.

Existe tecnologia.

Existe digitalização.

Existe procura por atendimento.

Existe desigualdade de acesso.

Existe formação profissional.

Existe disputa jurídica.

Existe publicidade.

Existe mercado.

Tudo isso existe simultaneamente.

E é justamente essa simultaneidade que a disputa simplificada não consegue enxergar.


15. A PSICOLOGIA TAMBÉM PRECISA SER TENSIONADA

Não faria sentido construir um artigo MPI para criticar todo mundo menos a Psicologia.

Isso seria apenas corporativismo vestido de filosofia.

A Psicologia também precisa olhar para si.

Precisa perguntar:

o que acontece quando o instrumento vira símbolo de identidade profissional?

quando a técnica vira propriedade antes de virar responsabilidade?

quando a defesa da ferramenta se torna mais importante do que a compreensão de seus limites?

quando o discurso profissional esquece que o objeto de cuidado é um sujeito e não uma pontuação?

Essas perguntas não diminuem a Psicologia.

Ao contrário.

Tornam a profissão mais difícil.

E talvez uma profissão só permaneça intelectualmente viva quando aceita que suas próprias ferramentas também podem ser interrogadas.


16. E A ENFERMAGEM?

A mesma lógica precisa ser aplicada.

Não basta perguntar:

“por que querem aplicar?”

É necessário perguntar:

qual necessidade institucional está produzindo essa demanda?

Qual problema material aparece?

Qual função está sendo buscada?

Qual lacuna de cuidado está sendo preenchida?

Qual lacuna de formação pode existir?

Qual organização do trabalho torna determinada prática desejável?

Qual é a finalidade?

Qual responsabilidade acompanha o uso?

Qual infraestrutura sustenta?

E quais são os limites?

Porque talvez exista algo muito mais interessante por trás da disputa:

a necessidade real de produzir respostas rápidas em ambientes nos quais o tempo é escasso.

Isso não autoriza qualquer prática.

Mas ajuda a compreender por que determinadas práticas aparecem.

E compreender não significa legitimar.

Esse é outro princípio fundamental do MPI.


17. O CUIDADO SUMIU DA DISCUSSÃO

Aqui chegamos ao ponto em que a Loka do Rolê fica realmente desconfiada.

Falamos de:

teste;

escala;

validade;

aplicação;

profissão;

regulamentação;

lei;

dados;

algoritmo;

IA;

mercado;

diagnóstico;

autoavaliação;

publicidade.

Mas:

cadê o cuidado?

Não “cuidado” como palavra bonita.

Cuidado como condição material.

Quem tem tempo?

Quem escuta?

Quem acompanha?

Quem retorna?

Quem observa a mudança?

Quem conhece a história?

Quem percebe que o resultado de hoje não é necessariamente a história inteira?

Quem percebe quando o sujeito responde “estou bem” enquanto o corpo está dizendo outra coisa?

Quem suporta a demora?

Porque talvez a grande tragédia seja esta:

quanto mais eficiente fica a produção de respostas, menos tempo sobra para suportar perguntas.


18. O PARADOXO DA PROXIMIDADE

Estamos mais próximos do paciente.

Temos mais dados.

Mais tecnologia.

Mais registros.

Mais protocolos.

Mais instrumentos.

Mais acesso à informação.

E, ao mesmo tempo, existe a possibilidade de o paciente se tornar mais distante.

Não fisicamente.

Discursivamente.

Ele pode desaparecer atrás de:

um número;

um diagnóstico;

um código;

uma categoria;

um formulário;

um prontuário;

um resultado;

um perfil.

É o paradoxo:

quanto mais informação temos sobre alguém, mais facilmente podemos deixar de encontrá-lo.

Não porque a informação seja inimiga.

Porque informação não é presença.


19. ZUBOFF, NOVAMENTE: O SUJEITO COMO FONTE DE DADOS

A provocação de Zuboff torna-se mais interessante quando aplicada com cautela.

Se a experiência humana pode ser convertida em dado comportamental dentro de determinadas arquiteturas digitais, precisamos perguntar o que acontece quando o sofrimento também passa a circular nessa lógica. 

Não significa que um teste psicológico seja uma ferramenta de vigilância.

Significa que vivemos numa cultura na qual a conversão da experiência em dados se tornou cada vez mais comum.

A pergunta então passa a ser:

quem recebe o dado?

para que ele serve?

quem interpreta?

qual finalidade?

qual responsabilidade?

qual consentimento?

qual limite?

qual benefício?

qual custo?

Essas perguntas ficam ainda mais importantes quando entram ferramentas digitais e inteligência artificial.

O material do próprio arquivo dedicado à IA registra que seu uso na Psicologia depende da finalidade, supervisão técnica, proteção de sigilo e consentimento; também afirma que a aplicação de testes exige atenção ao caráter científico da ferramenta e à validação pelo SATEPSI. 

Aqui o problema contemporâneo fica ainda mais delicado.

Não basta perguntar:

“a máquina consegue?”

Precisamos perguntar:

“o que estamos permitindo que ela faça com aquilo que consegue?”


20. A MÁQUINA NÃO É O NOVO SUJEITO

E aqui o MPI precisa ser rigoroso.

Não vamos dizer:

“a inteligência artificial quer diagnosticar”.

Não.

Sistemas técnicos não precisam desejar alguma coisa para produzir efeitos.

Precisamos olhar para:

dados;

parâmetros;

arquitetura;

finalidade;

usuários;

instituições;

empresas;

protocolos;

infraestrutura;

responsabilidade humana.

A tecnologia pode gerar uma saída complexa sem possuir consciência.

Pode produzir linguagem sem possuir experiência subjetiva.

Pode organizar informações sem possuir sofrimento.

Pode oferecer hipóteses sem possuir uma história.

Essa distinção é essencial.

Porque, quando culpamos a máquina por tudo, convenientemente esquecemos quem a construiu, quem a financia, quem a utiliza e quem decide onde colocá-la.

A Loka olha para a máquina e pergunta:

quem colocou você aqui?


21. O DISCURSO DIGITAL NÃO É A REALIDADE — MAS TAMBÉM NÃO É NADA

Existe outro erro frequente.

Dizer:

“é só internet.”

Não.

A internet não é apenas discurso.

É infraestrutura.

É trabalho.

É capital.

É energia.

É servidor.

É mineração.

É logística.

É publicidade.

É dados.

É tempo humano.

É atenção.

É comportamento.

É mercado.

O discurso digital possui materialidade.

Mas não deve ser tratado como causa universal.

Essa é uma das exigências do MPI.

A rede não explica tudo.

O algoritmo não explica tudo.

O indivíduo não explica tudo.

A cultura não explica tudo.

A economia não explica tudo.

O inconsciente não explica tudo.

A ferramenta não explica tudo.

É justamente por isso que precisamos atravessar os eixos.

Corpo.

Materialidade.

Trabalho.

Instituição.

Técnica.

Digital.

Discurso.

Consequência.

Permanência.


22. A HIPÓTESE QUE SOBRA DEPOIS DA POLÊMICA

Depois de retirar nomes, acusações, torcidas e certezas, sobra uma pergunta.

Talvez o fenômeno que estamos observando não seja simplesmente uma disputa sobre quem pode aplicar determinada escala.

Talvez exista uma transformação mais ampla acontecendo:

a experiência humana está sendo cada vez mais organizada por dispositivos de mensuração, classificação, circulação e interpretação.

Isso acontece em diferentes graus, em diferentes contextos e com diferentes finalidades.

Não é necessariamente bom.

Não é necessariamente ruim.

É um fenômeno.

E precisa ser observado.

No caso da saúde mental, isso produz uma tensão particular.

Porque a mensuração pode ajudar.

A classificação pode ajudar.

A tecnologia pode ajudar.

A informação pode ajudar.

Mas nenhuma dessas possibilidades elimina a necessidade de compreender as condições concretas em que a demanda apareceu.


23. O TESTE PODE RESPONDER. A PERGUNTA CONTINUA

Talvez esse seja o limite mais interessante.

Uma pessoa responde.

O instrumento calcula.

O resultado aparece.

E a pergunta permanece.

Porque uma pontuação não sabe necessariamente:

quem perdeu o emprego;

quem não dormiu;

quem está cuidando de alguém;

quem tem medo;

quem está endividado;

quem está sozinho;

quem está submetido a uma jornada impossível;

quem está vivendo um luto;

quem está adoecido fisicamente;

quem está sendo violentado;

quem está tentando sobreviver;

quem simplesmente chegou ao limite de uma condição material.

O teste pode indicar alguma coisa.

Mas a indicação não encerra a investigação.

É justamente aí que a Psicologia precisa resistir à tentação de transformar sua própria técnica em explicação total.

E é justamente aí que outras áreas precisam resistir à tentação de tratar uma ferramenta psicológica como formulário neutro.

O problema não é possuir uma régua.

O problema é esquecer que existe uma pessoa embaixo dela.


24. O QUE CONTINUA ACONTECENDO?

Agora podemos retornar à pergunta fundamental do MPI.

O que continua acontecendo?

Continua acontecendo uma sociedade que exige desempenho.

Continua acontecendo trabalho que ocupa tempo, corpo e atenção.

Continua acontecendo sofrimento.

Continua acontecendo busca por explicações.

Continua acontecendo transformação da experiência em informação.

Continua acontecendo expansão das ferramentas digitais.

Continua acontecendo disputa institucional sobre quem pode operar determinadas técnicas.

Continua acontecendo circulação de autoavaliações.

Continua acontecendo produção de conteúdo sobre saúde mental.

Continua acontecendo monetização da atenção.

Continua acontecendo transformação do sujeito em perfil.

Continua acontecendo a promessa de que compreender rapidamente a si mesmo resolverá o desconforto de existir.

E continua acontecendo uma coisa ainda mais antiga:

o corpo pagando a conta.


25. A LOKA DO ROLÊ NÃO TEM UMA SOLUÇÃO

E ainda bem.

Porque uma solução pronta destruiria a própria investigação.

Não cabe aqui dizer:

“faça isso”.

“Não faça aquilo”.

“Use esse teste”.

“Não use aquele”.

“Procure este profissional”.

“Confie naquela profissão”.

“Desconfie da tecnologia”.

“Abandone as redes”.

“Faça terapia”.

Isso seria outra forma de discurso pronto.

A Loka não veio vender uma saída.

Veio mostrar a porta que está sendo construída.

E perguntar quem está construindo.


HIPÓTESE PROVISÓRIA — O TESTE NÃO É O FIM DA PERGUNTA

A hipótese que emerge deste percurso é provisória:

a crescente disponibilidade de instrumentos de avaliação, autoavaliação e tecnologias capazes de organizar experiências psicológicas em dados pode estar produzindo uma transformação não apenas na maneira de medir o sofrimento, mas na própria maneira como o sofrimento passa a ser formulado como demanda.

Nesse processo, BDI, BAI e outras ferramentas não precisam ser considerados vilões para se tornarem objetos de investigação.

Eles podem cumprir funções técnicas legítimas dentro de contextos específicos.

A questão é outra.

O que acontece quando uma sociedade orientada pelo desempenho encontra ferramentas cada vez mais acessíveis para medir o próprio sofrimento?

Talvez o sujeito passe a procurar não apenas cuidado, mas uma explicação rápida de si.

Talvez a pontuação seja incorporada à identidade.

Talvez a demanda passe a ser organizada pelas categorias disponíveis no ambiente digital.

Talvez isso não aconteça em determinados contextos.

Talvez aconteça em outros.

Ainda não sabemos.

E é exatamente por isso que a hipótese precisa permanecer aberta.

O próprio material de orientação sobre avaliação psicológica disponível no arquivo reconhece que o comportamento humano resulta de uma complexa rede de dimensões inter-relacionadas e que avaliações possuem limites quanto ao que conseguem compreender e prever. 

Portanto, talvez a pergunta mais rigorosa não seja:

“o teste está certo?”

Mas:

“qual pergunta o teste consegue responder, qual pergunta ele não consegue responder e o que acontece socialmente quando esquecemos essa diferença?”


E A LOKA OLHA PARA A PAREDE

No fim, sobram algumas palavras rabiscadas.

BDI.

BAI.

COFEN.

CFP.

Hospital.

Psicologia.

Enfermagem.

IA.

Autoajuda.

Algoritmo.

Desempenho.

Trabalho.

Dados.

Sofrimento.

Cuidado.

Tudo parece separado.

Não está.

Existe um corpo no meio.

Um corpo que trabalha.

Um corpo que adoece.

Um corpo que sente.

Um corpo que responde.

Um corpo que é medido.

Um corpo que aparece no prontuário.

Um corpo que aparece no aplicativo.

Um corpo que aparece na estatística.

Um corpo que aparece na escala.

Um corpo que desaparece atrás da escala.

E talvez seja aí que a Loka do Rolê pare de rir.

Porque a piada fica ruim quando percebemos que a régua pode continuar funcionando perfeitamente enquanto ninguém pergunta quem está segurando o paciente.

Talvez a nossa época tenha aprendido a medir o sofrimento com uma precisão cada vez maior.

Talvez tenha aprendido também a classificá-lo.

Digitalizá-lo.

Compartilhá-lo.

Monetizá-lo.

Interpretá-lo.

Transformá-lo em conteúdo.

Mas permanece a pergunta mais velha de todas:

quem está cuidando?

E talvez ela seja velha justamente porque ainda não conseguimos aposentá-la.

A resposta não está aqui.

Nem deveria.

O que existe aqui é uma hipótese.

Uma hipótese construída retrospectivamente a partir dos rastros que encontramos.

Uma hipótese que pode ser desmontada pelo próximo documento.

Pelo próximo dado.

Pela próxima pesquisa.

Pela próxima consequência.

Pelo próximo corpo que não couber na escala.

Porque, no MPI, uma hipótese que não pode ser contrariada é apenas uma opinião usando roupa de ciência.

E a Loka do Rolê não confia muito em roupas.

Principalmente quando o corpo continua nu diante da realidade.


NOTAS DO AUTOR — MPI:

Este texto integra o arquivo crítico do projeto Mais Perto da Ignorância — MPI.

Não constitui aconselhamento psicológico, orientação clínica, diagnóstico individual, prescrição terapêutica ou avaliação psicológica.

Não pretende determinar culpados, estabelecer superioridade entre profissões ou produzir uma conclusão definitiva sobre o uso de instrumentos psicológicos.

A investigação utiliza documentos, obras teóricas, registros institucionais e materiais discursivos como instrumentos de observação. As interpretações apresentadas são de natureza ensaística e psicossocial; as formulações explicativas permanecem como hipóteses provisórias.

O objetivo não é produzir alívio imediato.

É produzir pensamento.

Porque talvez o incômodo seja uma das poucas coisas que ainda não conseguimos transformar completamente em pontuação.


REFERÊNCIAS:

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.

WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2014.

ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2016.

ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: CFP.

Site oficial:
https://site.cfp.org.br/

SATEPSI — Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos:
https://satepsi.cfp.org.br/

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Avaliação Psicológica: diretrizes e orientações. Brasília: CFP.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Cartilha sobre Inteligência Artificial e Psicologia. Brasília: CFP.

FONTES DOCUMENTAIS DO ARQUIVO MPI:

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Material disponível no repositório do projeto. A obra é utilizada aqui para tensionar a relação entre desempenho, liberdade coercitiva, autoexploração e sofrimento contemporâneo. 

MARX, Karl. Material de referência sobre trabalho, força de trabalho, mercadoria e produção de valor, disponível no repositório do projeto. 

ZUBOFF, Shoshana. A Era do Capitalismo de Vigilância. Material disponível no repositório do projeto. Utilizado para analisar a transformação da experiência humana em dados comportamentais e a infraestrutura digital de previsão e modificação do comportamento. 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Material de orientações sobre avaliação psicológica, testes psicológicos e condicionantes históricos e sociais. 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Material sobre Inteligência Artificial, Psicologia, sigilo, supervisão técnica e aplicação de testes psicológicos. 


MINI BIO:

José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo (CRP — Ativo), pesquisador e autor do projeto Mais Perto da Ignorância — MPI, onde investiga, com ironia e rigor ético, os efeitos dos discursos contemporâneos sobre a subjetividade, a escuta e o sofrimento humano.


#mpi
#alokadorole
@alokdorole_personagem
#maispertodaignorancia

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