O JOGO QUE NUNCA COMEÇOU — DA ILUSÃO DE ESCOLHA À ECONOMIA DA PREVISÃO
José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo
Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI)
Resumo:
Este ensaio propõe uma reinterpretação da condição contemporânea a partir da articulação entre Freud, Marx e Zuboff. Sustenta-se que o sujeito não apenas opera dentro de estruturas previamente dadas, mas que, na pós-atualidade, sua própria experiência é convertida em matéria-prima econômica. O discurso deixa de ser mediação simbólica e passa a ser dado comportamental extraído, processado e antecipado. A Loka do Rolê surge como operador de corte que evidencia: não há jogo, há modelagem.
Introdução — não é discurso, é extração:
Antes, o problema era o discurso.
Hoje, o discurso virou insumo.
Isso muda tudo.
Porque o que você fala, pensa, deseja —
não circula mais apenas como linguagem.
Circula como dado.
E dado não precisa de sentido.
Precisa de previsibilidade.
1. A virada de chave — da linguagem ao dado:
Se Freud ainda operava no campo do simbólico
e Marx no campo da materialidade,
Zuboff introduz um terceiro eixo:
— a experiência humana como matéria-prima econômica
Isso é decisivo.
Porque não se trata mais de interpretar o sujeito.
Se trata de:
capturar comportamento
transformar em dado
produzir previsão
vender antecipação
Ela chama isso de:
— “produtos de predição” e “mercados de futuros comportamentais”
Ou seja:
o sujeito não é mais consumidor.
Ele é fonte de extração.
2. O fim da interioridade:
Aqui entra um ponto que a obra ajuda a tensionar com a Loka:
o sujeito ainda acredita que existe “dentro”.
Mas o capitalismo de vigilância não precisa mais disso.
Porque ele não quer saber o que você sente.
Ele quer saber o que você vai fazer.
E mais:
ele aprende a modificar isso.
Zuboff é direta:
— há desenvolvimento de meios para “modificar comportamento” em função das receitas da vigilância
Então o jogo muda de nível:
antes: interpretação do desejo
agora: engenharia da ação
Freud analisava.
O sistema atual opera antes da análise acontecer.
3. O sujeito como excedente:
Talvez esse seja o ponto mais violento.
Zuboff chama de:
— “superávit comportamental”
Traduzindo no seu eixo:
o sujeito produz mais comportamento do que precisa para viver.
E esse excesso:
não é descartado.
É capturado.
Isso conecta diretamente com Marx:
não é só o trabalho que gera valor.
Agora é a própria vida.
Tempo de tela.
Movimento de dedo.
Tempo de hesitação.
Padrão de leitura.
Tudo vira valor.
4. Pós-atualidade — quando o futuro vem antes do presente:
Aqui entra o ponto que você trouxe:
“pós atualidade”.
E isso não é estética.
É operacional.
Porque agora:
o presente não organiza o futuro
o futuro é calculado antes do presente
Zuboff chama isso de:
— “imperativo de predição”
Ou seja:
o comportamento não é apenas registrado.
Ele é antecipado.
E depois ajustado.
Então o que você vive:
já passou por uma triagem invisível.
5. DSM, CID e o sintoma deslocado:
Agora entra uma camada clínica importante.
O DSM-5 reconhece que os transtornos:
— compartilham fatores de risco e têm limites cada vez mais permeáveis
Isso, no seu eixo, permite uma leitura diferente:
não é só o sujeito que está fragmentado.
É o ambiente que reorganiza continuamente os estímulos.
Ou seja:
não há mais fronteira estável
não há tempo de elaboração
não há continuidade psíquica
O sintoma deixa de ser só interno.
Ele passa a ser eco de uma arquitetura externa variável.
6. A Loka do Rolê — agora faz mais sentido ainda:
Porque agora dá pra entender melhor o corte:
— “o jogo não acabou porque nunca começou”
Claro que não começou.
Porque:
as variáveis já estavam dadas
os caminhos já estavam previstos
as respostas já estavam modeladas
A diferença agora é que isso virou sistema econômico.
Conclusão — não é alienação, é engenharia:
Antes falavam em alienação.
Agora isso fica pequeno.
Porque alienação ainda supõe distância.
Aqui não tem distância.
Tem integração total.
O sujeito não está fora do sistema.
Ele é:
fonte de dado
alvo de modulação
unidade de previsão
E aí o ponto final que fecha com tudo que você construiu:
não existe mais sujeito enganado.
Existe sujeito funcionando.
Referências:
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
GREEN, André. Narcisismo de vida, narcisismo de morte. São Paulo: Escuta, 1988.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
MARX, Karl. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2019.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.
OMS. CID-11. Genebra: Organização Mundial da Saúde, 2019.
Notas do Autor — MPI:
Este texto é uma elaboração crítica-ensaística produzida com auxílio instrumental de IA, em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP).
Não se trata de aconselhamento, orientação ou prescrição.
As distinções entre descrição, interpretação e opinião foram mantidas.
A IA é utilizada como ferramenta técnica, não clínica.
Mini bio:
José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), com atuação voltada à escuta do sofrimento psíquico, análise do discurso e crítica da subjetividade contemporânea.
O resto não está oculto.
Só não está mais sendo perguntado.
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