CONSUMO DE DROGAS ILÍCITAS NO BRASIL (2012–2023): DADOS EPIDEMIOLÓGICOS E VARIAÇÕES DEMOGRÁFICAS
O consumo de drogas ilícitas no Brasil tem sido acompanhado por levantamentos populacionais periódicos que permitem observar tendências ao longo do tempo. Este texto apresenta uma síntese descritiva e contextualizada desses dados, com base em pesquisas nacionais representativas e literatura científica reconhecida, sem julgamento moral, prescrição ou personalização do fenômeno.
1. Contexto metodológico
O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) é uma pesquisa domiciliar com amostra representativa da população brasileira, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e vinculada ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A terceira edição, LENAD III (2022–2024), mantém comparabilidade metodológica com levantamentos anteriores, como o realizado em 2012, permitindo análise temporal das prevalências de uso de álcool, tabaco e outras substâncias psicoativas, incluindo drogas ilícitas, em indivíduos com 14 anos ou mais.
Disponível em:
https://ghdx.healthdata.org/record/brazil-national-alcohol-and-drugs-survey-2022-2024
2. Prevalência ao longo da vida e uso recente
Dados divulgados a partir do LENAD III indicam que a proporção de brasileiros que relataram ter experimentado ao menos uma droga ilícita na vida passou de 10,3% em 2012 para 18,7% em 2023. Esse aumento corresponde a aproximadamente 80% no período.
No mesmo intervalo, a prevalência de uso nos últimos 12 meses subiu de 4,5% para 8,1%. Esses números indicam crescimento na experimentação e no uso recente em contexto domiciliar.
Disponível em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/consumo-de-drogas-ilicitas-cresceu-cerca-de-80-no-brasil-de-2012-a-2023/
Relatos de divulgação jornalística estimam que cerca de um em cada cinco brasileiros já experimentou drogas ilícitas, com variações segundo sexo — aproximadamente 23,9% entre homens e 13,9% entre mulheres — além de diferenças etárias observadas nas análises.
Disponível em:
https://agorarn.com.br/saude/um-em-cada-cinco-experimentou-drogas-ilicitas/
3. Distribuição por substância
A cannabis permanece como a droga ilícita mais frequentemente reportada. Estimativas recentes indicam que cerca de 15% ou mais da população adulta já a utilizou ao menos uma vez na vida.
Disponível em:
https://www.folhape.com.br/noticias/cannabis-15-ja-consumiram-maconha-no-brasil-taxa-mais-que-dobra-em/457181/
O LENAD III também detalha dados sobre cocaína e crack. Aproximadamente 6,60% da população com 14 anos ou mais relatou uso ao longo da vida, e 2,20% referiu uso no último ano.
Disponível em:
https://spdm.org.br/blogs/lenad-iii-cocaina-e-crack/
Comparativamente, o uso de cocaína ao longo da vida passou de 3,88% em 2012 para 5,38% em 2023, indicando aumento estatisticamente significativo no período.
Disponível em:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-07/cerca-de-114-milhoes-de-brasileiros-ja-usaram-cocaina-ou-crack
4. Variabilidade sociodemográfica
Estudos anteriores, como a Brazilian National Alcohol Survey (BNAS) de 2009, identificaram prevalência de uso de cannabis no último ano em torno de 2,1%, com maior probabilidade entre homens e determinados perfis sociodemográficos.
Disponível em:
https://repositorio.usp.br/item/001815392
Pesquisas sobre cocaína baseadas na II Brazilian National Alcohol and Drugs Survey (BNADS) também observaram associações entre consumo, idade, gênero e fatores socioeconômicos.
Disponível em:
https://www.uniad.org.br/artigos/2-artigos-internacionais/prevalence-of-cocaine-use-in-brazil-data-from-the-ii-brazilian-national-alcohol-and-drugs-survey-bnads-3/
Entre adolescentes, estudos populacionais identificaram prevalências elevadas de experimentação de drogas ilícitas, com estimativas de cerca de 30% que já utilizaram alguma substância, com destaque para cannabis.
Disponível em:
https://cisa.org.br/pesquisa/artigos-cientificos/artigo/item/579-alcool-e-drogas-entre-jovens-estudo-revela-padroes-de-uso-e-grupos-mais-vulneraveis-no-brasil
5. Interpretação descritiva
Os dados epidemiológicos revelam que o consumo de drogas ilícitas no Brasil apresenta crescimento na experimentação ao longo da vida e aumento no uso recente em determinados segmentos populacionais.
Essas informações não indicam causalidade direta entre uso e desfechos específicos de saúde, tampouco estabelecem julgamento moral sobre indivíduos. Elas descrevem padrões de comportamento que variam conforme idade, sexo, contexto socioeconômico e transformações culturais.
Mudanças nas percepções de risco, acesso a substâncias e dinâmicas de mercado podem influenciar tendências observadas, embora os levantamentos não se proponham a explicar causalmente tais movimentos.
6. Síntese final
A série histórica do LENAD oferece um panorama comparável da evolução do uso de drogas ilícitas no Brasil ao longo de mais de uma década. Observa-se crescimento nas taxas de experimentação, especialmente de cannabis, e alterações nas proporções de uso recente.
O fenômeno permanece multifacetado, envolvendo dimensões biológicas, sociais, culturais e econômicas. A leitura desses dados requer compreensão contextual e análise contínua, sem simplificações causais ou reducionismos morais.
Referência conceitual:
NARCÓTICOS ANÔNIMOS. Texto Básico. Narcotics Anonymous World Services.
Fonte factual:
Levantamento Nacional de Álcool e Drogas – III LENAD (2022–2024); Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas; pesquisas epidemiológicas nacionais citadas nos links acima.
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