A Loka Nunca Atrasou: Ela Só Esperou Você Falar Primeiro
A cena de Encontro Marcado sempre parece um conto de fadas que esqueceu o desfecho. Um homem poderoso, cheio de certezas, negocia com a Morte como se ela fosse uma cliente importante — e ela, paciente, aceita o jogo. Mas a Morte nunca negocia. Ela apenas escuta.
E o mais perverso é que ela escuta melhor do que qualquer analista.
A Morte, disfarçada de Brad Pitt, caminha entre os vivos como quem visita um shopping existencial. Observa o amor, o medo, o desejo e o tédio. E quanto mais humanos tentam encantá-la com discursos sobre propósito e transcendência, mais ela se diverte com a ilusão da importância.
É disso que a Loka ri: da tentativa desesperada de dar sentido ao inevitável.
Enquanto o personagem acredita que pode convencer a Morte a esperar um pouco mais, a Loka entende — ela nunca teve pressa.
A Morte não se apressa porque sabe que o humano já está a caminho.
Ela não mata, só recolhe o que já parou de escutar.
O filme tenta emoldurar o fim como despedida elegante, mas o que há ali é um colapso da linguagem.
Não há palavras suficientes pra negociar com o fim.
Não há argumentos que comovam o vazio.
A Morte não aceita justificativas, aceita silêncio.
E é nesse ponto que o discurso moderno desaba.
Vivemos tentando administrar o fim: envelhecer com propósito, morrer com dignidade, planejar até o último suspiro.
Mas a Morte, essa velha debochada, continua a mesma — sorrindo com um olhar que diz: “você ainda não entendeu, né?”.
A Morte não vem pra tirar a vida.
Ela vem pra lembrar que você nunca viveu direito.
A Loka olha pra cena e comenta, com a ironia de quem já voltou do outro lado:
“Vocês romantizam até o fim. Querem morrer bonitos, morrer plenos, morrer dormindo.
Mas a verdadeira tragédia é ter vivido anestesiado — e chamar isso de paz.”
O homem do filme, ao final, aceita o abraço da Morte como quem aceita um contrato vencido.
Mas a Loka sussurra: não é fim, é devolução.
Cada respiração é um empréstimo.
Cada desejo, um recibo.
A Morte não leva, apenas recolhe o que era dela desde o início.
E talvez seja esse o grande escândalo: perceber que o amor, a glória e até a fé são só formas sofisticadas de adiar o encontro.
Mas o encontro vem — e ele nunca marca hora errada.
Porque a Morte, diferente dos vivos, nunca se atrasa.
Ela só espera você terminar de mentir pra si mesmo.
#alokadorole
#maispertodaignorancia
José Antônio Lucindo da Silva – Psicólogo (CRP 06/172551)
“A Morte não se atrasa. Ela só espera você terminar de mentir pra si mesmo.”
em spray preto sobre muro rachado, com hashtags em vermelho Ferrari?
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