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QUANDO O OUTRO VIRA MÉTRICA: O SOFRIMENTO QUE NÃO ENCONTRA LIMITE

QUANDO O OUTRO VIRA MÉTRICA: O SOFRIMENTO QUE NÃO ENCONTRA LIMITE José Antônio Lucindo da Silva Mais Perto da Ignorância — MPI Resumo: Este artigo articula dados recentes sobre saúde mental de adolescentes brasileiros e relatórios globais de felicidade com o acervo teórico do projeto Mais Perto da Ignorância, especialmente a série O TCC Negado. Argumenta-se que o aumento do sofrimento psíquico entre jovens — particularmente entre meninas — não pode ser explicado apenas pelo uso de redes sociais, mas pela transformação da função do outro nas relações mediadas. Sustenta-se que o outro permanece como presença discursiva, porém perde sua incidência como alteridade efetiva, reorganizando o sofrimento em formas de repetição, esvaziamento e continuidade. Palavras-chave: subjetividade; alteridade; redes sociais; sofrimento psíquico; mediação Introdução: Os dados não inauguram o problema. Eles apenas tornam visível o que já operava. O levantamento do IBGE revela que meni...

SÉRIE — O TCC NEGADO: SUBJETIVIDADE, TECNOLOGIA E O OUTRO QUE NÃO COMPARECE

SÉRIE — O TCC NEGADO: SUBJETIVIDADE, TECNOLOGIA E O OUTRO QUE NÃO COMPARECE CAPÍTULO 1 — A PERGUNTA QUE NÃO FOI ACEITA (2018–2019) José Antônio Lucindo da Silva Resumo: Este capítulo apresenta a formulação inicial do problema de pesquisa desenvolvido entre os anos de 2018 e 2019, posteriormente recusado em contexto acadêmico. A questão central não se organizava em torno da dependência tecnológica em si, mas da impossibilidade de sustentação de um “outro” enquanto presença efetiva na experiência subjetiva mediada por tecnologias. Argumenta-se que tal hipótese, à época considerada deslocada, antecipa fenômenos que se intensificam no cenário contemporâneo. Palavras-chave: subjetividade; alteridade; tecnologia; nomofobia; mediação 1. Introdução: Entre 2018 e 2019, ao desenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso, a pergunta que orientava minha investigação não era sobre o uso excessivo da tecnologia. Era outra. Mais incômoda. Menos organizável. Eu me perguntava: ...

ENTRE A IMAGEM E O ALGORITMO: QUANDO O LIMITE DEIXA DE SER RECONHECIDO E A REALIDADE VIRA INTERFACE

ENTRE A IMAGEM E O ALGORITMO: QUANDO O LIMITE DEIXA DE SER RECONHECIDO E A REALIDADE VIRA INTERFACE José Antônio Lucindo da Silva Psicólogo Clínico — CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Data: 25 mar. 2026 RESUMO: O presente artigo examina a circulação de imagens em ambientes digitais, a padronização discursiva mediada por sistemas de inteligência artificial e seus efeitos na organização da experiência contemporânea. Parte-se da hipótese de que não se trata de um aumento quantitativo do uso tecnológico, mas de uma reorganização das condições materiais de existência. A imagem deixa de operar como registro e passa a funcionar como dado circulante; a linguagem deixa de se constituir como elaboração e passa a ser antecipada por sistemas técnicos; o limite, embora ainda operante no corpo, deixa de ser reconhecido como referência organizadora. Sustenta-se que o sujeito não perde o real, mas deixa de se orientar por ele. Palavras-chave: materialidade; mediação; in...

Você ainda acredita que está pensando por conta própria?

Você ainda acredita que está pensando por conta própria? Resumo: O avanço da inteligência artificial tem sido frequentemente descrito como uma revolução tecnológica voltada à otimização de tarefas cognitivas. No entanto, sua incidência ultrapassa o campo instrumental, atingindo diretamente a forma como o sujeito organiza linguagem, pensamento e elaboração. Este ensaio propõe que a padronização discursiva observada no uso crescente de IA não constitui um fenômeno isolado, mas um desdobramento de transformações estruturais já descritas por Freud, Bauman e Byung-Chul Han. A IA não inaugura o problema, mas o intensifica, ao ocupar o espaço anteriormente sustentado pelo esforço psíquico de elaboração. Introdução: A recente discussão sobre os efeitos da inteligência artificial na linguagem e no pensamento humano tem se concentrado na ideia de padronização. De acordo com matéria publicada pelo G1, pesquisadores e profissionais da área de saúde mental alertam que o uso frequente de...

Eles não perderam o limite — eles não o experimentaram

Eles não perderam o limite — eles não o experimentaram Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância — Loka do Rolê Palavras-chave: limite; infância; materialidade; algoritmo; socialização; violência; discurso; regulação Resumo Este artigo propõe uma análise crítico-ensaística sobre a ausência de experiência de limite na formação contemporânea de crianças e adolescentes. A hipótese central sustenta que o problema não se reduz à transgressão de normas, mas à insuficiência de condições materiais e relacionais que possibilitem o reconhecimento dessas normas como limite. A partir de uma estrutura analítica que privilegia corpo, condição material, organização social, técnica e discurso, o texto argumenta que a crescente regulação normativa — especialmente no ambiente digital — opera de forma dissociada da experiência concreta de interdição. Tal dissociação tende a produzir intensificação do controle externo sem cor...