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“Quando a guerra precisa de Deus, eu já sei: não é fé — é sintoma tentando se absolver”

“Quando a guerra precisa de Deus, eu já sei: não é fé — é sintoma tentando se absolver”





José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551)

Mais Perto da Ignorância — Loka do Rolê





Palavras-chave


corpo, guerra, religião, algoritmo, materialidade, poder, tempo, limite






Resumo


Eu não vim explicar nada. Vim cortar. O que me atravessa aqui não é opinião — é o incômodo de ver guerra sendo narrada como missão enquanto o corpo continua sendo o lugar onde tudo termina. Quando Deus entra como argumento, eu já sei que alguém não está suportando o próprio ato. Eu não falo de fé. Falo do uso dela. Falo da necessidade de transformar violência em algo narrável. Aqui não tem futuro, não tem promessa, não tem redenção. Tem corpo, tem tempo e tem funcionamento. E o que eu faço é só isso: expor onde o discurso tenta esconder o real.





Introdução:


Eu sei que você quer entender.


Mas não tem nada pra entender.


Tem coisa pra encarar.


E eu já começo te dizendo: quando o discurso fica bonito demais, é porque ele já se afastou do corpo.


Guerra não é ideia.


Eu não consigo tratar como ideia.


Porque ideia não sangra.


Corpo sangra.


E mesmo assim, eu vejo o tempo inteiro a tentativa de transformar o que é impacto em narrativa, o que é escolha em destino e o que é material em algo espiritualizável.


Eu entro aqui como Loka do Rolê.


Não como personagem.


Como corte.


Porque alguém precisa interromper essa fantasia.





Eu olho pra guerra e não vejo Deus.


Nunca vi.


Eu vejo repetição.


Eu vejo funcionamento.


Eu vejo corpo sendo atravessado enquanto alguém, em algum lugar seguro, tenta dar nome bonito pra isso.


Eu não compro.


Não compro porque o corpo não compra.


O corpo sente.


O corpo limita.


O corpo para.


E quando para, acabou.


Freud não me deixa esquecer:


eu repito.


Você repete.


A gente repete.


Mesmo quando dói.


Principalmente quando dói.


E a guerra… é isso ampliado.


Não é exceção.


É regra organizada.


Aí eu vejo alguém invocando Deus.


Eu já entendo o movimento:


não está sustentando o próprio ato.


Precisa deslocar.


Precisa justificar.


Precisa limpar o que, no fundo, sabe que não limpa.


Marx atravessa isso sem pedir licença:


não é ideia.


É condição.


É material.


É quem pode fazer e quem não pode impedir.


É quem come e quem vira estatística.


Porque com o corpo protegido…


qualquer narrativa funciona.


Agora aproxima do corpo.


Encosta.


Fica perto.


Aí eu quero ver sustentar.


Não sustenta.


Nunca sustentou.


Então o discurso cresce.


Cinema entra.


Religião entra.


Política entra.


Algoritmo distribui.


E de repente a guerra vira linguagem.


Mas eu não esqueço:


quem paga não é a linguagem.


É o corpo.


Sempre o corpo.


Eu não tenho romantização aqui.


Não cabe.


Porque quando eu tento romantizar, o real corta.


Han falaria de cansaço.


Mas eu nem consigo chamar isso de cansaço.


Isso é ruptura.


É limite.


É fim.


Nietzsche me empurra mais:


não tem valor absoluto aqui.


Tem construção.


Tem força.


Tem vontade.


E mesmo assim, insistem em chamar de moral.


Eu olho e vejo medo.


Medo de assumir que foi escolha.


Porque assumir escolha pesa.


Pesa no agora.


Pesa no corpo.


Pesa no tempo que não volta.


Então inventa destino.


Inventa missão.


Inventa Deus.


Durkheim já tinha avisado que a sociedade vem antes.


Mas eu vejo a sociedade virando número.


Virando dado.


Virando gráfico.


Até o momento em que o corpo reaparece.


E quando reaparece…


não tem discurso que segure.


Camus me atravessa:


não tem justificativa suficiente.


E eu concordo.


Nunca teve.


Mas eu vejo o esforço.


Sempre vejo.


Porque o vazio não é suportável.


E aí o algoritmo entra.


Não como vilão.


Mas como espelho.


Ele mostra o que engaja.


E o que engaja não é o real.


É o simplificado.


Bem contra mal.


Deus contra inimigo.


Herói contra ameaça.


Eu não opero aí.


Eu não consigo operar aí.


Porque isso não sustenta no corpo.


Roudinesco desmonta essa ideia de eu soberano.


E eu vejo isso na prática:


ninguém está no controle.


Só estão tentando organizar o que já desorganizou.


E sempre desorganiza.


Porque o real não pede permissão.


Ele acontece.


E eu só nomeio depois.


Quando ainda dá tempo.



Frase-âncora


Quando eu vejo a guerra invocando Deus, citando roteiro e performando moralidade enquanto corpos continuam sendo destruídos no presente sem qualquer suspensão do impacto real, eu não vejo fé, não vejo estratégia e nem conflito — eu vejo só o desespero humano tentando transformar escolha em destino, violência em sentido e consequência em narrativa suportável.





Notas do Autor — A LOKA DO ROLÊ


Eu não estou orientando.


Eu não estou prescrevendo.


Eu não estou oferecendo saída.


Eu estou descrevendo um funcionamento.


E interpretando o que aparece quando o discurso tenta se sobrepor ao real.


A Loka do Rolê não é entidade clínica.


É operador discursivo.


É corte.


É interrupção.


Isso aqui respeita o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP).


Não há direcionamento de conduta.


Não há intervenção.


Há tensão.


Uso de IA como ferramenta de organização.


A responsabilidade do que está sendo dito continua sendo minha.


Referências:


FREUD, Sigmund — O Mal-Estar na Civilização

https://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/malestar.pdf 


BECKER, Ernest — A Negação da Morte

https://monoskop.org/images/5/5c/Becker_Ernest_A_negacao_da_morte.pdf


DARWIN, Charles — A Origem das Espécies

https://www.gutenberg.org/files/1228/1228-h/1228-h.htm 


MARX, Karl — O Capital

https://www.marxists.org/portugues/marx/1867/ocapital-v1/index.htm 


CIORAN, Emil — Nos Cumes do Desespero

https://monoskop.org/images/7/76/Cioran_Emil_Nos_cumes_do_desespero.pdf 


HAN, Byung-Chul — Sociedade do Cansaço

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4437498/mod_resource/content/1/HAN_Byung-Chul_Sociedade%20do%20cansa%C3%A7o.pdf


ZUBOFF, Shoshana — A Era do Capitalismo de Vigilância


https://www.publico.pt/2020/02/16/tecnologia/noticia/capitalismo-vigilancia-1904307 


O’NEIL, Cathy — Algoritmos de Destruição em Massa

https://weaponsofmathdestructionbook.com/ 


CAMUS, Albert — O Mito de Sísifo 


https://monoskop.org/images/3/3e/Camus_Albert_O_mito_de_S%C3%ADsifo.pdf 


Mini Bio:


Eu sou José Antônio Lucindo da Silva, psicólogo clínico (CRP 06/172551).

O que eu faço não é organizar conforto.

É tensionar discurso.


O projeto Mais Perto da Ignorância não entrega resposta.

Entrega corte.


E a Loka do Rolê…

não resolve nada.

Só impede que a mentira fique confortável demais.



---


 – Se quiser, está na descrição.

Se não quiser… a vida segue.

Isso aqui não é pra engajamento, não é pra curtida, não é pra nada.

É só um aviso.



#mpi

#alokadorole

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