A ESCUTA ESTÁ SE TORNANDO UMA INFRAESTRUTURA TECNOLÓGICA. Durante muito tempo imaginamos que tecnologias digitais serviam para transmitir informação. Hoje elas começam a ocupar outro espaço. O espaço da conversa. Uma pesquisa internacional realizada com aproximadamente 3.800 jovens entre 11 e 25 anos, em França, Alemanha, Suécia e Irlanda, identificou que 51% dos participantes consideravam mais fácil conversar com um chatbot sobre questões emocionais do que com profissionais de saúde, incluindo psicólogos. O dado pode gerar reações rápidas. Entusiasmo tecnológico. Alarmismo moral. Ou previsões apressadas sobre o futuro da clínica. Mas talvez nenhuma dessas leituras alcance a questão principal. A pergunta não é se a inteligência artificial escuta melhor. A pergunta é por que tantos indivíduos passaram a perceber determinadas interfaces digitais como espaços mais acessíveis para falar sobre sofrimento. A disponibilidade permanente é parte da resposta. Não existem filas. Não e...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva