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O ESPETÁCULO NÃO É MAIS CULTURA — É INFRAESTRUTURA

O ESPETÁCULO NÃO É MAIS CULTURA — É INFRAESTRUTURA Eu começo pelo corpo. Porque, se não começa aí, já começou errado. O corpo cansado, o sono quebrado, a atenção fragmentada, o sujeito que não sustenta mais uma leitura longa sem abrir outra aba — isso não é opinião. É condição. E não começou hoje. INTRODUÇÃO — O PROBLEMA NÃO É A CULTURA. É A ESCUTA QUE NÃO EXISTE Dizem que o mundo virou espetáculo. Que tudo ficou raso. Que ninguém mais pensa. Bonito. Organiza bem o incômodo. Mas explica mal o que está acontecendo. Porque quando você diz “o problema é cultural”, você desloca o problema para o campo da escolha. Como se fosse gosto. Como se fosse preferência. Não é. O que colapsou não foi o interesse. Foi a possibilidade de sustentar algo que não responde imediatamente. Não é falta de conteúdo. É excesso de estímulo. E excesso não produz pensamento. Produz saturação. FUNDAMENTAÇÃO — ENTRE FREUD, BAUMAN E HAN: O CORPO NÃO AGUENTA MAIS Descrição factual: ...

Cannabis, saúde mental e evidência científica: expansão do uso em contraste com dados limitados

Cannabis, saúde mental e evidência científica: expansão do uso em contraste com dados limitados A discussão sobre o uso da cannabis medicinal em transtornos mentais ocorre em um contexto marcado por dois movimentos simultâneos: o crescimento expressivo da utilização da substância e a ausência de evidência científica robusta que sustente sua eficácia para condições como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Uma revisão ampla publicada no periódico The Lancet, reunindo 54 ensaios clínicos randomizados realizados entre 1980 e 2025, indica que não há comprovação consistente de benefício dos canabinoides para esses transtornos. Os resultados apontam que, mesmo diante da expansão do uso em diferentes países, os efeitos observados não superam o placebo em condições psiquiátricas centrais. Esse dado é reiterado por outras análises recentes, que destacam a predominância de evidências fracas, com alto risco de viés metodológico. Parte dos estudos aprese...

NADA COMEÇA NO ATO: A VIOLÊNCIA COMO EFEITO DE UM AMBIENTE SEM LIMITE

NADA COMEÇA NO ATO: A VIOLÊNCIA COMO EFEITO DE UM AMBIENTE SEM LIMITE Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo RESUMO: Este artigo sustenta que as manifestações contemporâneas de violência juvenil mediadas por redes sociais — incluindo misoginia, humilhação pública e práticas extremas — não constituem fenômenos inéditos, mas reconfigurações de estruturas já antecipadas em formulações teóricas anteriores. A partir de uma articulação entre dimensões biológicas, materiais, sociais, técnicas e discursivas, argumenta-se que o problema não se origina no ato violento, mas em um ambiente anterior caracterizado pela ausência de mediação efetiva do outro como limite. A tecnologia não inaugura essa dinâmica, apenas a reorganiza, intensificando a repetição e reduzindo a possibilidade de interrupção simbólica. Em consonância com referenciais como Freud, Bauman, Han, Lasch e André Green, propõe-se que a violência emerge como uma forma de inscrição quando o sujeito não...

QUANDO O OUTRO VIRA MÉTRICA: O SOFRIMENTO QUE NÃO ENCONTRA LIMITE

QUANDO O OUTRO VIRA MÉTRICA: O SOFRIMENTO QUE NÃO ENCONTRA LIMITE José Antônio Lucindo da Silva Mais Perto da Ignorância — MPI Resumo: Este artigo articula dados recentes sobre saúde mental de adolescentes brasileiros e relatórios globais de felicidade com o acervo teórico do projeto Mais Perto da Ignorância, especialmente a série O TCC Negado. Argumenta-se que o aumento do sofrimento psíquico entre jovens — particularmente entre meninas — não pode ser explicado apenas pelo uso de redes sociais, mas pela transformação da função do outro nas relações mediadas. Sustenta-se que o outro permanece como presença discursiva, porém perde sua incidência como alteridade efetiva, reorganizando o sofrimento em formas de repetição, esvaziamento e continuidade. Palavras-chave: subjetividade; alteridade; redes sociais; sofrimento psíquico; mediação Introdução: Os dados não inauguram o problema. Eles apenas tornam visível o que já operava. O levantamento do IBGE revela que meni...

SÉRIE — O TCC NEGADO: SUBJETIVIDADE, TECNOLOGIA E O OUTRO QUE NÃO COMPARECE

SÉRIE — O TCC NEGADO: SUBJETIVIDADE, TECNOLOGIA E O OUTRO QUE NÃO COMPARECE CAPÍTULO 1 — A PERGUNTA QUE NÃO FOI ACEITA (2018–2019) José Antônio Lucindo da Silva Resumo: Este capítulo apresenta a formulação inicial do problema de pesquisa desenvolvido entre os anos de 2018 e 2019, posteriormente recusado em contexto acadêmico. A questão central não se organizava em torno da dependência tecnológica em si, mas da impossibilidade de sustentação de um “outro” enquanto presença efetiva na experiência subjetiva mediada por tecnologias. Argumenta-se que tal hipótese, à época considerada deslocada, antecipa fenômenos que se intensificam no cenário contemporâneo. Palavras-chave: subjetividade; alteridade; tecnologia; nomofobia; mediação 1. Introdução: Entre 2018 e 2019, ao desenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso, a pergunta que orientava minha investigação não era sobre o uso excessivo da tecnologia. Era outra. Mais incômoda. Menos organizável. Eu me perguntava: ...

ENTRE A IMAGEM E O ALGORITMO: QUANDO O LIMITE DEIXA DE SER RECONHECIDO E A REALIDADE VIRA INTERFACE

ENTRE A IMAGEM E O ALGORITMO: QUANDO O LIMITE DEIXA DE SER RECONHECIDO E A REALIDADE VIRA INTERFACE José Antônio Lucindo da Silva Psicólogo Clínico — CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Data: 25 mar. 2026 RESUMO: O presente artigo examina a circulação de imagens em ambientes digitais, a padronização discursiva mediada por sistemas de inteligência artificial e seus efeitos na organização da experiência contemporânea. Parte-se da hipótese de que não se trata de um aumento quantitativo do uso tecnológico, mas de uma reorganização das condições materiais de existência. A imagem deixa de operar como registro e passa a funcionar como dado circulante; a linguagem deixa de se constituir como elaboração e passa a ser antecipada por sistemas técnicos; o limite, embora ainda operante no corpo, deixa de ser reconhecido como referência organizadora. Sustenta-se que o sujeito não perde o real, mas deixa de se orientar por ele. Palavras-chave: materialidade; mediação; in...