QUANDO O DIREITO CUSTA METADE DO SALÁRIO 1. INTRODUÇÃO A Agência FAPESP divulgou dado inquietante: famílias com filhos diagnosticados com transtornos mentais podem comprometer até 50% da renda mensal com cuidados relacionados à saúde mental. O número, por si só, não é argumento. É indicador. Indicador de que há uma fratura entre promessa normativa e capacidade material. O Brasil reconhece a saúde como direito social fundamental (Constituição Federal de 1988). O Sistema Único de Saúde (SUS) foi estruturado sob o princípio da universalidade. A saúde mental integra essa arquitetura institucional. No plano jurídico, o direito existe. No plano material, ele depende de orçamento, infraestrutura, profissionais, tempo, território e gestão. Este texto analisa essa tensão à luz do Protocolo Metodológico-Ético do projeto Mais Perto da Ignorância (MPI), distinguindo descrição, interpretação e opinião, e recusando qualquer prescrição individual. 2. DESCRIÇÃO: O QUE OS DADOS ...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva