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Manifesto da Loka do Rolê ou por que a civilização ainda depende de ouvir “não”

Manifesto da Loka do Rolê ou por que a civilização ainda depende de ouvir “não” Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: violência contra a mulher; misoginia contemporânea; cultura digital; ressentimento masculino; civilização; discurso social Resumo: Este manifesto apresenta os fundamentos analíticos do projeto Mais Perto da Ignorância (MPI), cuja proposta consiste em examinar criticamente discursos contemporâneos relacionados à violência simbólica e material contra mulheres no contexto brasileiro. A análise parte da observação de que determinadas narrativas difundidas em ambientes digitais buscam reorganizar frustrações individuais transformando-as em explicações ideológicas sobre o lugar do feminino na sociedade. Ao confrontar essas narrativas com dados institucionais produzidos por órgãos públicos brasileiros — como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Conselho Nacional de Justiça e o Observatório da Mulher contra a Violência — t...

#ocivilizacaocomecacomnao Quando o “não” vira problema:

#ocivilizacaocomecacomnao Quando o “não” vira problema: a estranha dificuldade de alguns homens com a autonomia feminina Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave violência contra a mulher; misoginia digital; cultura contemporânea; violência de gênero; discurso masculino; civilização Resumo Este artigo analisa criticamente discursos contemporâneos que tentam redefinir a posição social das mulheres a partir de narrativas ressentidas amplamente difundidas em ambientes digitais. Tais narrativas frequentemente descrevem a autonomia feminina — especialmente sua participação no mercado de trabalho e sua capacidade de escolha nas relações — como ameaça civilizacional. Entretanto, quando confrontadas com dados institucionais produzidos no Brasil por órgãos como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Conselho Nacional de Justiça e o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, essas narrativas revelam um contraste sign...

A garrafa, o algoritmo e o silêncio: por que o alcoolismo feminino não cabe na promessa de uma “maneira simples”

A garrafa, o algoritmo e o silêncio: por que o alcoolismo feminino não cabe na promessa de uma “maneira simples” Palavras-gírias: rolê, garrafa, algoritmo, coping líquido, cansaço social, marketing emocional, consumo escondido, sofrimento silencioso Interlúdio da Loka A garrafa não fala. O algoritmo também não. Mas os dois vendem a mesma coisa: alívio rápido para uma dor que ninguém quer ouvir. 1. O que os números dizem antes da promessa Antes de qualquer manual de solução rápida aparecer na prateleira, existe um detalhe incômodo: os dados epidemiológicos não cabem em fórmulas simples. Levantamentos citados por veículos como CNN Brasil e pelo IBGE indicam aumento do consumo de álcool entre mulheres nas últimas décadas. Estudos citados pela Fiocruz apontam que o álcool gera cerca de 18 bilhões de reais de impacto econômico anual no Brasil e está associado a aproximadamente 12 mortes por hora no país. A literatura epidemiológica brasileira também mostr...

#ocivilizacaocomecanoNao Crônica — Quando o algoritmo aprende a odiar

#ocivilizacaocomecanoNao Crônica — Quando o algoritmo aprende a odiar Palavras-gírias: rage-click, algoritmo-raiva, macho-beta-premium, audiência-de-ódio, economia-do-escândalo, feed-ressentimento, conteúdo-isca, guerra-de-engajamento Interlúdio da Loka Eu fico olhando vocês brigando na tela. Chamam isso de debate. Chamam isso de liberdade. Mas o que eu vejo é só gente gritando para um algoritmo que aprende rápido o que dá lucro. Sai um levantamento do NetLab UFRJ analisando canais misóginos no YouTube. Dois números chamam atenção. Há alguns anos existiam 137 canais produzindo conteúdos de desprezo ou controle sobre mulheres. Eles acumulavam 19 milhões de inscritos. Agora existem 1, 2 e 3... canais. Menos produtores. Mas 23 milhões de inscritos. O que diminuiu foi o número de canais. O que cresceu foi o público. Esse pequeno detalhe revela algo importante sobre a estrutura das plataformas. O ódio não desaparece. Ele se concentra. E quando se concentr...

O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo

O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, trabalho no Brasil, inteligência artificial, subjetividade, capitalismo digital, robótica, economia política da tecnologia, sofrimento psíquico no trabalho Resumo: Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como demonstração de inovação tecnológica. No entanto, quando analisada à luz da economia política do trabalho e da psicologia social, a narrativa revela uma transformação estrutural mais profunda. A automação industrial sempre esteve associada à reorganização das relações de produção. Desde a análise de Karl Marx sobre a maquinaria industrial até as interpretações contemporâneas de Shoshana Zuboff sobre o capitalismo de vigilância, a tecnologia não aparece apenas c...