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O CORPO NÃO CABE NA INTERFACE

O CORPO NÃO CABE NA INTERFACE O corpo acorda antes da teoria. Antes da interpretação sociológica. Antes do relatório institucional. Antes do comentário político. Ele acorda pesado. Costas duras. Olhos secos. Sono interrompido. O organismo ainda nem organizou o pensamento e a tela já está acesa. Notificação. Odds atualizadas. Promoção relâmpago. A transmissão começa em cinco minutos. O dedo desliza. A aposta também. Não porque alguém acordou decidido a apostar. Mas porque a arquitetura já estava pronta antes do gesto. O gesto humano aparece no final da cadeia. A infraestrutura vem antes. Esse detalhe raramente aparece no discurso público. A narrativa dominante ainda insiste em imaginar decisões individuais isoladas, como se cada clique surgisse de um ato plenamente consciente. No entanto, a materialidade das plataformas revela outra coisa: ambientes inteiros são projetados para induzir continuidade de ação. A interface não espera reflexão. Ela espera movimento. C...

A droga que todo mundo chama de cultura

A droga que todo mundo chama de cultura 🎬 ASSISTA O VÍDEO NO CANAL NO YOUTUBE: Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave: alcoolismo • dependência química • cultura do álcool • dopamina • sociedade de consumo • dependência digital • economia da atenção  Resumo Algumas drogas são proibidas. Outras são celebradas. O álcool pertence ao segundo grupo. Ele aparece em celebrações familiares, encontros profissionais e rituais culturais considerados normais. No entanto, classificações diagnósticas como o DSM-5-TR e a CID-11 descrevem o consumo problemático de álcool como um fenômeno complexo que envolve fatores neurobiológicos, psicológicos e sociais. Narrativas autobiográficas como A Saideira ilustram episódios de perda de controle, amnésia alcoólica e danos físicos associados ao consumo prolongado. Este artigo examina a tensão entre a normalização cultural do álcool e os processos de dependência descritos na liter...

A droga que todo mundo chama de cultura - 2

A droga que todo mundo chama de cultura - 2  🎬 ASSISTA VÍDEO NO CANAL NO YOUTUBE  Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI: Palavras-chave: alcoolismo • dependência química • cultura do álcool • dopamina • digitalização • sociedade de consumo • dependência tecnológica Resumo: Algumas drogas são proibidas. Outras são celebradas. O álcool pertence ao segundo grupo. Ele aparece em rituais culturais, encontros profissionais, celebrações familiares e práticas sociais consideradas normais. Contudo, classificações diagnósticas como o DSM-5-TR e a CID-11 descrevem o consumo problemático de álcool como fenômeno complexo que envolve dimensões neurobiológicas, psicológicas e sociais. Narrativas autobiográficas, como A Saideira, ilustram episódios de perda de controle, amnésia alcoólica e danos físicos associados ao consumo prolongado. Esses relatos não constituem evidência clínica isolada, mas dialogam com descrições presentes na...

Quando o vício vira modelo de negócios.

Quando o vício vira modelo de negócios Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — Loka do Rolê Palavras-chave dependência comportamental; apostas online; ludopatia; economia da atenção; capitalismo de plataforma; saúde pública Resumo O crescimento das apostas online no Brasil vem sendo descrito por pesquisadores e veículos de imprensa como um fenômeno simultaneamente econômico, tecnológico e sanitário. Estudos recentes indicam que milhões de brasileiros participam regularmente de plataformas de apostas digitais, e uma parcela significativa apresenta comportamentos classificados como problemáticos ou de risco. A discussão pública passou a deslocar o tema da esfera do entretenimento para o campo da saúde pública e da regulação econômica. Mais do que um problema individual de autocontrole, o fenômeno revela a convergência entre tecnologia de plataforma, arquitetura de recompensa psicológica e expansão de mercados digitais ba...

PowerPointou: quando gráficos otimistas não sobrevivem à realidade brasileira.

PowerPointou: quando gráficos otimistas não sobrevivem à realidade brasileira Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: progresso estatístico; violência estrutural; feminicídio; mal-estar social; ideologia econômica; modernidade. A coluna “Você pensa que antigamente a vida era melhor? Vamos aos fatos para avaliar se era mesmo”, publicada por Celso Ming no jornal O Estado de S. Paulo, apresenta uma narrativa típica do otimismo econômico contemporâneo: o mundo estaria melhor porque indicadores materiais — renda, tecnologia, expectativa de vida — evoluíram historicamente. O argumento, embora baseado em dados reais, apresenta uma fragilidade estrutural: transforma progresso técnico em diagnóstico civilizacional total. Este ensaio confronta essa tese com dados institucionais sobre violência social, especialmente violência contra mulheres, demonstrando que avanço tecnológico não elimina estruturas históricas de violê...

Progresso em PowerPoint: quando a história vira gráfico e o corpo continua pagando a conta.

Progresso em PowerPoint: quando a história vira gráfico e o corpo continua pagando a conta Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave; progresso; história; materialidade; discurso; trabalho; corpo; tecnologia; sofrimento social. Resumo Existe uma narrativa recorrente: a humanidade nunca viveu tão bem. A técnica venceu a fome, a medicina venceu as doenças, a ciência venceu a ignorância. O gráfico sobe, a expectativa de vida cresce, a produção agrícola explode, e alguém conclui: “logo, estamos melhores”. A Loka do Rolê olha para essa celebração com a paciência de quem já viu esse filme. Porque gráficos contam histórias elegantes — mas o corpo não vive em gráfico. Vive em salário mínimo, fila de hospital, esgotamento mental, precarização do trabalho e dívida crônica. A pergunta não é se houve progresso técnico. Houve. A pergunta é outra: quando o progresso vira argumento discursivo para explicar o presente, ele está des...