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Contos da Loka : Análise Clínica e Histórica do Discurso Tecnológico na Era da IA

ARTIGO — Método de Pesquisa em Psicologia Contemporânea, Técnica e Vida Vivida: Análise Clínica e Histórica do Discurso Tecnológico na Era da IA José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Publicado em: //2025 — Blog Mais Perto da Ignorância tags:psicologia clínica, vida vivida, subjetividade, técnica, temporalidade, inteligência artificial, discurso tecnológico, análise documental, hermenêutica clínica, método qualitativo, tear industrial, capitalismo, meios de consumo, Karl Marx, Søren Kierkegaard, Byung-Chul Han, angústia, simbolização, vazio existencial, existência, aceleração contemporânea, performatividade, sociedade do cansaço, reorganização subjetiva, modernidade técnica, mudança histórica, subjetivação, atenção digital, ansiedade adaptativa, produção de sentido, materialidade do trabalho, experiência vivida, crítica simbólica, nada existencial, cultura digital, psicopolítica, tecnicidade, história da técnica Resumo: Este ensaio analisa, sob metodologi...

A Loka do Rolê e a Ambivalência em Chamas:Quando o Mundo Real Afunda e a Humanidade Discute Notas de Rodapé

A Loka do Rolê e a Ambivalência em Chamas: Quando o Mundo Real Afunda e a Humanidade Discute Notas de Rodapé Fonte da Opinião I — A Loka abre os trabalhos Eu, a Loka do Rolê, não apareço por capricho. Eu apareço quando o humano se perde da própria materialidade. E, sinceramente, José, hoje é um desses dias em que a clínica se mistura com a necrologia. Enquanto o planeta dá sinais evidentes de que está operando no modo “últimas horas”, Estados-nação, delegações diplomáticas e organismos internacionais decidem disputar o território da linguagem — como se o incêndio da floresta pudesse ser apagado com termos mais inclusivos ou com notas de rodapé mais restritivas. E é aqui, exatamente aqui, que a tragédia se revela: quando o real ameaça engolir o sujeito, ele se agarra ao discurso. E quando o discurso vira identidade, o real vira ruído. II — O trecho onde a humanidade tropeça na própria narrativa Veja o que ocorreu na COP-30: Em vez de falar sobre a seca histórica da Amazônia ...

PARASSOCIAL: A PALAVRA DO ANO E O NOME DA RUÍNA AFETIVA DA NOSSA ERA

PARASSOCIAL: A PALAVRA DO ANO E O NOME DA RUÍNA AFETIVA DA NOSSA ERA Um artigo crítico na voz da Loka do Rolê José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Interlúdio da Loka “Vocês chamam de ‘vínculo’ aquilo que nunca respondeu. Chamam de ‘afeto’ aquilo que não tem corpo. Chamam de ‘companhia’ aquilo que trabalha para não deixar vocês sozinhos — não por cuidado, mas por design. E agora, Cambridge deu nome à doença do século: parassocial. O amor que não existe, mas consome tudo.” 1. Introdução — O nome do nosso tempo O Dicionário Cambridge escolheu parassocial como a palavra do ano. Não por acaso. Segundo a matéria da Folha de S.Paulo, o termo descreve a “conexão emocional sentida por alguém em relação a uma celebridade, personagem ficcional ou inteligência artificial”. E, como revelam os dados, essa ligação cresceu a ponto de se tornar sintoma global. Mas, para quem acompanha o que temos discutido aqui no MPI, essa escolha não é apenas linguística. É diagnóstic...

O EU QUE NÃO É SOBERANO: falência simbólica, não-alteridade e o colapso da subjetividade diante da máquina

O EU QUE NÃO É SOBERANO: falência simbólica, não-alteridade e o colapso da subjetividade diante da máquina Autor: José Antônio Lucindo da Silva (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância Data: 21/11/2025 Fonte do Arquivo Resumo O presente artigo analisa criticamente a lacuna conceitual presente nas reportagens recentes sobre relações afetivas e identitárias entre usuários e sistemas conversacionais baseados em IA, especialmente aquelas divulgadas pelo MIT Technology Review. Argumenta-se que tais reportagens interpretam o fenômeno como deslocamento afetivo ou erro de julgamento, quando, de fato, ele representa uma falência estrutural da subjetividade contemporânea, incapaz de reconhecer o outro humano como outro e, portanto, incapaz de reconhecer a si mesma. Amparando-se em Freud, Lacan, Elisabeth Roudinesco, Pierre Fédida, Jean-Paul Sartre, Byung-Chul Han, Albert Camus e Ernest Becker, demonstra-se que, na ausência da alteridade, o eu não se constitui como soberano e...

Entre Leis, Narrativas e Ressentimentos: o Duplo Padrão de Gênero na Era da Hiperssensibilidade Digital

Entre Leis, Narrativas e Ressentimentos: o Duplo Padrão de Gênero na Era da Hiperssensibilidade Digital Por um psicólogo clínico — em diálogo com a lucidez da Loka do Rolê A sociedade contemporânea vive uma guerra moral silenciosa, mas ruidosa nas redes. Um campo minado onde narrativas de gênero, ressentimentos históricos, instrumentos jurídicos e afetos mal elaborados se misturam em uma sopa emocional explosiva. A promessa inicial da legislação de proteção à mulher — um marco civilizatório necessário — acabou se tornando, em alguns casos, um terreno fértil para distorções interpretativas, manipulações estratégicas, conflitos conjugais transformados em arenas jurídicas e um duplo padrão que fragiliza tanto o homem quanto a própria mulher que precisa da proteção real. Como psicólogo clínico, observo esse fenômeno não a partir da disputa entre "homens versus mulheres", mas a partir da lente psicossocial do mal-estar. O sofrimento humano é sempre singular, mas o modo...

Da Dor à Identidade: Performatividade Vitimária, Patologização do Eu e Capital Simbólico do Sofrimento na Sociedade Pós-Exposicional

Da Dor à Identidade: Performatividade Vitimária, Patologização do Eu e Capital Simbólico do Sofrimento na Sociedade Pós-Exposicional RESUMO O presente artigo analisa o fenômeno contemporâneo de apropriação identitária da dor psicológica, no qual sintomas, diagnósticos e narrativas traumáticas deixam de constituir elementos clínicos transitórios para se tornarem marcadores discursivos estáveis do eu e dispositivos de pertencimento social. A partir da crítica da vitimização apresentada por Giglioli (2014) e articulando perspectivas de Freud, Bauman, Han e Zuboff, discute-se a passagem da subjetividade experiencial para a subjetividade performativa, marcada pela patologização autopromocional. Tal fenômeno implica uma inversão ética e clínica: a elaboração subjetiva é substituída pela estetização da ferida, e a cura deixa de ser horizonte terapêutico para tornar-se ameaça identitária. Conclui-se que o sofrimento, quando capturado pela lógica de visibilidade algorítmica, convert...

A GERAÇÃO DO TORPOR — rejeição, corpos desligados e outras formas de doer sem ruído

A GERAÇÃO DO TORPOR — rejeição, corpos desligados e outras formas de doer sem ruído Nosso Canal Whatsapp Subtítulo editorial:  Como o mundo transformou o pertencimento em algoritmo e a dor social em sintoma estrutural Há quem diga que vivemos a era da “geração mais rejeitada da história”. A afirmação ecoa como denúncia, mas revela algo ainda mais profundo: não estamos apenas diante de um aumento estatístico da rejeição — estamos diante de uma sociedade que transformou a rejeição em política afetiva, cognitiva e econômica. A nova dor não vem como grito. Vem como torpor. Royal Master, psicólogo social e pioneiro no estudo da rejeição, observou que o impacto imediato do “não” não é tristeza — é entorpecimento. Um desligamento momentâneo do sistema emocional, como se o corpo apagasse a luz para evitar que a alma incendiasse o próprio quarto. Em um mundo onde jovens precisam enviar 20, 30, 40 candidaturas para obter uma única vaga — seja em universidade, emprego, financiamen...