JANELA SEM APRENDIZADO: o Brasil enchendo carteiras, vazando saberes
👓🗞️ Fonte:
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/02/brasil-avanca-na-escolarizacao-mas-nao-melhora-no-aprendizado.shtml
Autor: A Loka do Rolê
Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI)
Palavras-chave: escolarização, aprendizagem, educação básica, desigualdade, desempenho, política pública.
O Brasil avançou em matrícula escolar — cheio de números bonitos de acesso e frequência — mas o aprendizado não subiu no mesmo ritmo. Isso é factual: mais gente na escola, menos gente aprendendo de verdade. Não é mimimi pedagógico; é discrepância concreta entre presença e competência. A escolarização cresceu, o saber não acompanhou. Metas de universalização sorriem, enquanto proficiência fica morna. A pandemia acentuou brechas e a desigualdade socioeconômica reforça o mesmo padrão: quem tem mais, aprende mais; quem tem menos, nem de longe. O discurso público celebra “avanços de acesso”. A vida real não sorri no boletim de aprendizagem. O problema não é falta de boas intenções. O problema é que sistemas dispersam matrícula, mas não sustentam aprendizado estruturalmente. A escola virou lugar de presença, não de transformação pedagógica. Ninguém promete soluções, mas é preciso nomear impasses: acesso não é sinônimo de saber consolidado; políticas sem coerência material produzem fachada de progresso.
1984 não desapareceu. Você que está procurando no lugar errado.
Chega uma manchete assim: “Brasil avança na escolarização, mas não melhora no aprendizado”. Parece coisa de estatística, planilha, gráfico. Não parece algo que mexe com a vida real das pessoas — mas é. Posso te dizer sem autoconfiança barata: isso é paradoxo material, não discurso vazio. O país está enchendo carteiras escolares, mas não está enchendo cérebros com competência consolidada. O que significa esse hiato entre matrícula e saber efetivo? É aqui que a Loka do Rolê começa a mexer na ferida genérica dos números bonitos.
1. Escolarização não é sinônimo de saber
Avançar na escolarização — mais gente matriculada, mais tempo de permanência em sala, menos evasão — é bom.
Mas a aprendizagem mediana ainda está longe de níveis considerados adequados, tanto em avaliações nacionais quanto em testes globais como o PISA, onde metade dos brasileiros de 15 anos não alcança proficiência básica em leitura.
E aí entra a tensão: estar presente não significa saber processar, entender, aplicar conhecimento.
A escola virou cartório de presença, não arena de apropriação de saber.
2. Desigualdade material como fator oculto
Se metade dos alunos brasileiros não domina competências básicas, isso não é acidente. É estatística que se conecta com pobreza, infraestrutura precária, formação docente insuficiente e desigualdade socioeconômica que atravessa a vida dos estudantes desde antes do nascer.
Na rede pública, percentuais de proficiência adequada em matemática e português caem para níveis críticos — muito abaixo dos melhores padrões — destacando a ruptura entre política pública e experiência escolar real.
Política de acesso e matrícula cresce. O saber consolidado não acompanha o mesmo ritmo.
3. Pandemia: impacto material e prolongado
A pandemia de COVID-19 não foi só fechamento de escolas. Foi latência coletiva de aprendizagem — interrupções, desigualdade de acesso à tecnologia, crianças sem suporte familiar, professores sem infraestrutura. Quando as aulas retornaram, os níveis de aprendizagem ainda não conseguiram recuperar os patamares que existiam antes de 2019.
Não foi “queda no gráfico”. Foi ferida na própria curva de saber.
4. Políticas públicas: retórica vs. materialidade
O Brasil tem programas e metas. O Plano Nacional de Educação, metas de universalização de acesso, iniciativas de tempo integral. E ainda assim, o aprendizado não acompanha. Isso não é acidente burocrático.
Significa que o discurso de avanço educacional está desconectado da experiência material que condiciona saber real.
Mais acesso sem melhoria qualitativa é fachada, não educação.
5. Implicações sociais e econômicas
Educação não é coluna escolar.
É coluna vertebral de sociedade.
Estagnação de aprendizado alimenta ciclo de desigualdade.
Profissões que exigem saber formal tendem a reproduzir disparidades.
Expectativa social colide com experiência concreta.
Esse não é problema de retórica.
É impasse material.
Notas do Autor — MPI:
1. A análise não faz prognósticos futuros.
2. Chama atenção para dados estruturais e discrepâncias empíricas entre acesso e aprendizagem.
3. Nomeia impasses, sem prometer soluções ou prescrever comportamentos.
Referências:
— Brasil avança na escolarização, mas não melhora no aprendizado:
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/02/brasil-avanca-na-escolarizacao-mas-nao-melhora-no-aprendizado.shtml
— Ensino Médio avança em acesso, mas aprendizado segue em nível crítico:
https://consumidormoderno.com.br/ensino-medio-aprendizado-nivel-critico/
— Acesso à educação avança no Brasil, mas sem atingir maioria das metas:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-06/acesso-educacao-avanca-no-brasil-mas-sem-atingir-maioria-das-metas
— Education in Brazil (OCDE):
https://www.oecd.org/en/publications/education-in-brazil_60a667f7-en.html
— Aprendizagem na educação básica ainda não retomou níveis pré-pandemia:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-04/aprendizagem-na-educacao-basica-ainda-nao-retomou-niveis-pre-pandemia
Mini Bio:
A Loka do Rolê é persona crítica que tensiona discursos quando fenômenos sociais são explicados por métricas sem reflexão material. Integra análises de educação, tecnologia e sociedade dentro do projeto Mais Perto da Ignorância, operando na fronteira entre vida vivida e discurso explicativo, sem futurismo e sem promessas de certeza.
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@alokdorole_personagem
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