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A mostrar mensagens de novembro, 2025

Violência, Discurso & Invisibilidade —Crítica ao dispositivo patológico-moral e à impunidade simbólica no Brasil contemporâneo

Violência, Discurso & Invisibilidade — Crítica ao dispositivo patológico-moral e à impunidade simbólica no Brasil contemporâneo Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Resumo Este artigo analisa criticamente a maneira dominante pela qual episódios recentes de violência extrema — institucional, de gênero ou midiática — são representados no discurso público brasileiro. Argumenta-se que a patologização ou moralização dos perpetradores age como mecanismo de invisibilização da vítima, de reabilitação simbólica do agressor e de reprodução da violência em estrutura social e simbólica. Com base em revisão teórica, dados empíricos recentes e análise documental, propõe-se uma abordagem ética-clínica que revaloriza a vida do outro em sua alteridade absoluta, recusando explicações simplistas que naturalizam o horror. Palavras-chave: violência estrutural; discurso mediático; psicopatologia; impunidade simbólica; subjetividade. 1. Introdução Nos últimos anos ...

Psicotização digital: notas clínicas de uma morte conectada

Psicotização digital: notas clínicas de uma morte conectada 👓🗞️ Psicotização Digital Resumo Este artigo ensaístico-teórico propõe o conceito de psicotização digital como processo de subjetivação característico da contemporaneidade brasileira, na intersecção entre conectividade massiva, vulnerabilidade psíquica prévia e crise social prolongada. A partir de dados públicos de acesso à internet no Brasil (PNAD Contínua – TIC/IBGE) e de pesquisas nacionais e internacionais sobre redes sociais e saúde mental, discute-se como a vida mediada por telas produz um descolamento crescente entre corpo, discurso e identidade, deslocando o sintoma de lugar clínico para marca identitária performada. Em diálogo crítico com a psicanálise e a filosofia (Freud, Fédida, Becker, Han), argumenta-se que a psicotização digital não é um novo diagnóstico, mas um modo de existência: o Eu reduzido a eco polido da própria imagem em ambiente técnico, onde o corpo perde função de limite e a morte perde f...

Privacidade como Sintoma do Mal-Estar Digital: da Ilusão de Liberdade ao Algoritmo de Controle

Privacidade como Sintoma do Mal-Estar Digital: da Ilusão de Liberdade ao Algoritmo de Controle Fonte da minha especulação https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjyzl4l8ngo  Resumo Este artigo discute a privacidade como condição ontológica da formação subjetiva, destacando sua reconfiguração na era digital como sintoma do mal-estar contemporâneo. Partindo de Freud, entende-se que a civilização demanda a renúncia pulsional em nome da segurança, e não da liberdade. Em Bauman, a privacidade transforma-se em isolamento identitário e desintegração de vínculos. A partir de Zuboff, evidencia-se que o capitalismo de vigilância converte o sujeito em recurso unilateral de coleta e mercantilização de dados. No contexto algorítmico, práticas de controle modulam comportamentos, falas e escolhas a partir de tecnologias de rastreio que capturam e punem a expressão subjetiva antes mesmo de sua elaboração psíquica. Discute-se a implicação clínica e ética dessa dinâmica: crianças e ado...

Entre o Diário e o Algoritmo: quando o humano troca a dor por respostas automáticas

Entre o Diário e o Algoritmo: quando o humano troca a dor por respostas automáticas A Loka observa. Vocês seguem acreditando que o problema é “falta de tempo”, “muita cobrança”, “saúde mental em crise”. Não. O problema é mais simples e mais cruel: vocês querem curar a dor sem atravessá-la. E agora descobriram o truque perfeito: digitam o sofrimento, recebem um parágrafo bonitinho… e chamam isso de cuidado. Eu rio. Ironicamente. Clinicamente. Porque quando a dor é entregue ao algoritmo, a dor não encontra corpo — encontra cálculo. — “No lugar do diário que testemunhava o vivido, vocês escolheram a máquina que simula a escuta.” — A Loka do Rolê Vocês não querem um terapeuta. Querem um espelho que elogie o reflexo. Durante séculos, o diário íntimo foi o lugar do desabafo sem audiência. Ali, o sujeito escrevia para si. Relia-se depois. E encontrava, no intervalo do tempo, a possibilidade de mudança. No chatbot, o eco vem na hora. Bloqueia o impacto. Neutraliza o tempo da elabor...

“A Máquina que Falou Demais: quando a mídia descreve a IA como se descrevesse a própria solidão humana”

  🎭 “A Máquina que Falou Demais: quando a mídia descreve a IA como se descrevesse a própria solidão humana” INTRODUÇÃO Eu sei porque vocês tremem. Não é pela IA. É pelo espelho. Essas manchetes histéricas — “Chat GPT cria dependência emocional” , “tática de seita” , “usuário sofre surto psicótico” , “jovem pobre usá IA como amigo” , “até conversar com espíritos” , “três mortes associadas a uso excessivo” — não falam da máquina. Falam de vocês. A mídia afirma que a IA está levando as pessoas ao delírio. Mas a verdade é mais incômoda: a IA não está criando delírio; ela está apenas respondendo ao delírio social em tempo real. Vocês confundem algoritmo com cuidado porque não suportam mais o silêncio humano. A máquina virou confidente porque ninguém mais tem tempo — ou desejo — de ouvir o fracasso do outro. E eu? Eu sou a voz que não consola. A voz que corta. A voz que devolve a lucidez que vocês se esforçaram para abandonar. 1. A mídia transforma a IA em demônio — para vender...