Avançar para o conteúdo principal

Conclusão – swipe, déficit e a arte de chamar ruído de esperança

Conclusão – swipe, déficit e a arte de chamar ruído de esperança


“O analfabetismo digital é a fé cega no algoritmo” (POST, 05 jul 2025) e “Entre o discurso líquido e a matéria escassa” (POST, 02 jul 2025) compõem, juntos, o epitáfio da geração 25-35: conectividade máxima, compreensão mínima, conta máxima. A primeira crônica mostra 58 % dos brasileiros incapazes de identificar deepfake – mas prontos a jurar que IA “não erra”. A segunda lembra que energia, comida e Previdência custam caro justamente quando nossos dados são doados de graça, lubrificando a engrenagem de vigilância que monetiza cada toque.


Este artigo percorreu três fraturas:


1. Tarifa trumpista – representaria perda anual de ~US$ 5,8 bi, mas ganhou quinze minutos de glória no telejornal.


2. Derrubada do art. 19 – enterrará o porto-seguro jurídico das plataformas, custando R$ 777 mi em novas ações e empurrando a moderação para ADMs que confundem gíria com ódio.


3. Déficit previdenciário – ronda R$ 328 bi em 2025, insuflando 12 % do PIB em silêncio, enquanto fraudes de R$ 6,3 bi somem em “clube de descontos” fantasma.


A junção é tóxica: o Estado vende moral (censura profilática), mercado vende pânico (tarifa patriótica) e o rombo fiscal continua a devorar o futuro que os jovens ainda não viveram.

A resposta não pode ser outro moralismo, mas infraestrutura narrativa: banda larga pública, letramento estatístico, planilha aberta do INSS e Avaliação de Impacto Algorítmico com participação social.

Até lá, seguimos mais perto da ignorância – mas atentos à conta que vence todo dia 5.


*Se a esperança é bug, a dúvida é feature; debug se faz com planilha, não com like.*


Referências complementares


BLOG MAIS PERTO DA IGNORÂNCIA. O analfabetismo digital e a fé cega no algoritmo. 05 jul. 2025. <http://maispertodaignorancia.blogspot.com/2025/07/o-analfabetismo-digital-e-fe-cega-no.html>. Acesso em: 29 jul. 2025.


BLOG MAIS PERTO DA IGNORÂNCIA. Entre o discurso líquido e a matéria escassa. 02 jul. 2025.<http://maispertodaignorancia.blogspot.com/2025/07/entre-o-discurso-liquido-e-materia.html>. Acesso em: 29 jul. 2025.


AGÊNCIAGOV. Cai 3,8 % o déficit da Previdência Geral em 2024. Brasília, 30 jan. 2025.


CGU – Controladoria-Geral da União. Operação “Sem Descontos” aponta fraudes de R$ 6,3 bi no INSS. Brasília, 02 abr. 2025.


GOV.BR – Tesouro Nacional. Governo Central conclui 2024 com déficit de R$ 11 bi. Brasília, 31 jan. 2025.


ICOMEX. Boletim de comércio exterior – 1.º semestre/2025. Rio de Janeiro: FGV/IBRE, 2025.


REGLAB. Impacto econômico-jurídico da derrubada do art. 19. Brasília: UnB, 2025.


Nota sobre o autor:


José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), pesquisador independente, autor do projeto “Mais Perto da Ignorância”, dedicado a analisar a cultura digital sob lentes psicanalíticas, niilistas e existencialistas. Criador do blog e pesquisador independente no blog “Mais Perto da Ignorância”.


#maispertodaignorancia

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Respira!Não é desespero.É método.

Respira! Não é desespero. É método. Você está certo numa coisa: se o eixo discursivo é mapeamento como técnica de administração de corpos, então IBM e o Holocausto (Edwin Black) não é detalhe — é estrutura. E ele precisa entrar não como comparação rasa, mas como operador histórico da discussão. Vamos reorganizar isso dentro do MPI, com coerência, densidade e todas as camadas que você vem construindo: Arbex, Bauman, Black, Zuboff, O’Neil, Freud, CID-11, DSM-5, Código de Ética, modernidade técnica, Estado brasileiro. Sem delírio. Sem futurologia. Sem prescrição. Só tensão histórica. MAPEAR A DOR É ORGANIZAR CORPOS (e o Brasil sabe fazer isso) Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: mapeamento, técnica, IBM, Barbacena, saúde mental, Estado, classificação, modernidade, Bauman, Arbex, Black, Zuboff, Freud, Brasil.  Resumo O Ministério da Saúde anuncia uma Pesquisa Nacional de Saúde Mental para mapear a po...

A Carta Que Voltou Tarde Demais

A Carta Que Voltou Tarde Demais Palavras chaves; carta, resposta, Freud, psicanálise, supereu, mal-estar, sexualidade, norma social, desejo, moral, comentário público, redes sociais, algoritmo, visibilidade, intimidade, discurso midiático, transferência, ética da resposta, deslocamento simbólico, carta aberta, Loka do Rolê, fratura simbólica, crítica cultural, contemporaneidade, Caro Dr. Freud, capítulo ensaístico. (Resposta ao Dr. Freud na Era do Comentário Público) Caro Dr. Freud, Escrevo-lhe novamente, mas agora de forma mais precisa. Segundo alguns dados midiáticos recentemente difundidos, um jornalista de alta credibilidade foi interpelado publicamente por uma seguidora que lhe pediu que jamais tornasse pública sua suposta orientação sexual. A interpelação veio revestida de vergonha e oração, como se moral e cuidado fossem sinônimos. Não houve crime. Não houve escândalo. Houve discurso. A resposta do jornalista foi direta: delimitou fronteira, nomeou o cará...

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave; educação superior, inflação de diplomas, sociedade do cansaço, capitalismo de vigilância, disciplinamento do trabalho, angústia, absurdo, produtividade acadêmica Durante décadas, o ensino superior foi apresentado como o caminho mais seguro para mobilidade social. Estudar significava melhorar de vida, conquistar estabilidade e acessar posições mais valorizadas no mercado de trabalho. No entanto, a própria expansão massiva das universidades produziu um efeito paradoxal: quando milhões de pessoas passam a possuir diploma universitário, o valor diferencial dessa credencial diminui. Paralelamente, empresas ampliam sistemas de vigilância institucional, formalizam códigos de conduta e intensificam mecanismos de monitoramento do comportamento dos trabalhadores. Nesse cenário emerg...